Início Notícias “Liberdade para Reportar”: Centenas de jornalistas internacionais exigem a Israel acesso imediato...

“Liberdade para Reportar”: Centenas de jornalistas internacionais exigem a Israel acesso imediato à Faixa de Gaza

“Quando os governos podem bloquear unilateralmente o acesso às zonas de guerra”, alerta a petição, “minam o próprio fundamento da democracia: a liberdade de imprensa como travão ao poder”.

Mais de uma centena de correspondentes de guerra, jornalistas e fotojornalistas, entre os quais Christiane Amanpour, Lindsey Hilsum, Anderson Cooper, Clarissa Ward, Alex Crawford, Krishnan Guru-Murthy, Mehdi Hassan e Don McCullin, assinam uma nova reivindicação global de acesso imediato da imprensa estrangeira à Faixa de Gaza.

“Liberdade para Reportar” / “Freedoom to Report” é um esforço coordenado por jornalistas que estiveram na linha da frente de guerra em todos os continentes, com décadas de experiência, e conta com o apoio de nomes de relevo do The Times, Channel 4, CNN, BBC, NRK, Sky News, The Guardian, El Mundo, CBS, ABC, Rede Globo e muitos outros.

Entre os primeiros signatários encontram-se também jornalistas portugueses, como Cândida Pinto, José Manuel Rosendo, Paulo Moura, Patrícia Fonseca ou Sérgio Furtado.

A partir desta segunda-feira, 4 de agosto, todos os jornalistas profissionais, tenham ou não experiência em cenários de guerra, são chamados a assinar a petição.

Numa demonstração de unidade profissional e com o apoio de organizações-chave, como a Associação de Jornalistas Europeus, o Comité para a Proteção dos Jornalistas e os Repórteres Sem Fronteiras, a iniciativa “Liberdade para Reportar” foi iniciada pelo fotógrafo de guerra André Liohn, vencedor da Medalha de Ouro Robert Capa, e inspirada no legado de colegas que deram as suas vidas em busca da verdade, entre os quais Marie Colvin, James Foley, Chris Hondros, Tim Hetherington e outros.

“Exigimos que os jornalistas independentes e profissionais sejam autorizados a entrar em Gaza. O que está a acontecer hoje não é apenas um apagão humanitário, mas também um apagão de informação, e ele deve acabar”, diz Liohn.

Os jornalistas estrangeiros estão impedidos de entrar em Gaza desde outubro de 2023, devido às restrições impostas por Israel. O motivo alegado é “segurança”, mas os trabalhadores humanitários, médicos e líderes religiosos tiveram o acesso permitido nas mesmas condições e riscos. Por isso, a pergunta deve ser feita claramente: porque é que Israel não quer que os jornalistas estrangeiros reportem o que se passa em Gaza?

“Quando os governos podem bloquear unilateralmente o acesso às zonas de guerra”, alerta a petição, “minam o próprio fundamento da democracia: a liberdade de imprensa como travão ao poder”.

Os jornalistas exigem:

  • Autorização imediata das autoridades israelitas e do Hamas para permitir o acesso de jornalistas estrangeiros independentes a Gaza.
  • Respeito pelo estatuto de proteção dos jornalistas pelo direito internacional, incluindo as
    Convenções de Genebra.
  • Apoio de organizações de comunicação social, sociedade civil e governos de todo o mundo
    para defender o princípio de que a verdade nunca deve ser ditada por aqueles que empunham
    armas ou controlam fronteiras.

Ao mesmo tempo que presta homenagem à extraordinária coragem dos jornalistas palestinianos que reportam sob cerco (mais de 200 morreram desde o início da guerra), a petição insiste que o acesso internacional é fundamental para fornecer um relato completo e independente da guerra.

Os signatários estão unidos por uma mensagem comum: isto não é ativismo, é jornalismo. O direito de comunicação, especialmente em tempo de guerra, não é opcional. É uma salvaguarda democrática essencial. A sua erosão em Gaza sinaliza uma crise global mais ampla na liberdade de imprensa.

“Este é um momento decisivo. O que acontecer em Gaza vai moldar o futuro da liberdade de imprensa em todos os lugares”, alerta-se no texto da petição. “O mundo tem o direito de saber. O jornalismo não pode ser silenciado.”