“Histórias da Pide – Vol 1” (Ed. Tinta da China), novo livro do jornalista José Pedro Castanheira, tem lançamento marcado para o dia 6 de novembro, às 18h30, no Liceu Camões, em Lisboa. A apresentação estará a cargo de Irene Pimentel e Jacinto Godinho.
“Fui certamente um dos primeiros jornalistas a mergulhar no Arquivo PIDE/DGS, a que se seguiram outros, igualmente depositados na Torre do Tombo. São um repositório ilimitado de histórias fantásticas, quase todas elas trágicas, e que ilustram muito bem o sistema de governo que dominou Portugal durante meio século, mas que agora muitos insistem em ignorar ou branquear”, explica José Pedro Castanheira, que investigou muitas destas histórias nas décadas em que foi jornalista do Expresso.
“Espero que este livro seja mais um contributo para preservar a memória desses tempos, para que não se voltem a repetir, e para que se conheça melhor a história da repressão, da resistência à ditadura e da conquista da liberdade.”
Sólido e temido bastião do Estado Novo, ninguém escapava ao raio de ação da PIDE: nem Calouste Gulbenkian, o homem mais rico do mundo, que foi preso em 1942; nem o ex‑ ‑presidente da República marechal Craveiro Lopes, vítima de chantagem de caráter sexual; nem sequer o bispo D. Eurico Dias Nogueira, submetido a constante vigilância, com cartas intercetadas até para o Vaticano e para o próprio Salazar.
Também o general Humberto Delgado foi assassinado pela PIDE, perto de Badajoz, em 1965. A chefiá‑la estava Rosa Casaco, que, fugido do país a seguir ao 25 de Abril de 1974, viria a ser condenado a oito anos de prisão e a tornar‑se um dos rostos mais emblemáticos desta força policial – graças também a uma entrevista que deu a José Pedro Castanheira, publicada no Expresso.
Estas são algumas das “Histórias da PIDE” que o jornalista investigou ao longo dos anos, todas reveladoras da violência deste órgão repressivo que fez milhares de vítimas e 29 510 presos políticos, só em Portugal continental.
Neste primeiro volume, todos os acontecimentos reportam ao período de Salazar. O segundo volume incidirá sobre a época de Marcello Caetano.
