A directora de informação da Agência Lusa, Luísa Meireles, foi cooptada na quarta-feira, 11 de fevereiro, por uma maioria dos membros da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) para ser a próxima presidente do organismo de 2025 a 2028.
Luísa Meireles vai acumular o cargo com a direcão da Lusa, assumindo como prioridades dar voz aos jornalistas portugueses numa possível negociação de alterações legislativas no sector, uma vez que o Governo pretende rever as leis de imprensa, rádio, televisão e da transparência dos media para criar o Código da Comunicação Social.
A escolha do novo presidente da CCPJ arrastou-se durante quase um ano, depois de os três nomes levados anteriormente a votação terem ficado empatados com quatro votos a favor e outros tantos contra, num plenário composto por oito membros – metade designada pelos jornalistas e outra metade pelos operadores do setor.
Em junho, os representantes dos jornalistas reafirmaram o compromisso de manter um jornalista à frente daquele órgão, no ativo ou reformado, embora com formação de jurista, enquanto os representantes dos patrões defendiam que deveria ser um jurista.
Licenciada em Direito, Luísa Meireles foi advogada durante 10 anos e é jornalista há mais de 35 anos.
“Tendo em vista que a legislação tem que ser revisitada e modernizada, é preciso que os jornalistas tenham voz. E não há melhor voz do que a CCPJ” para assumir esse papel, afirmou Luísa Meireles em declarações à Lusa, após a notícia da sua cooptação, sublinhando que a comunicação social e o jornalismo se encontram “num momento crítico” em que é preciso reforçar a voz dos profissionais.
Luísa Meireles defende que a Comissão deve assumir-se como a voz de todos os profissionais do setor na criação do futuro Código da Comunicação Social, distinguindo o papel do jornalista face a novos atores do espaço público, como influenciadores e comentadores, através do cumprimento do código deontológico.
“O Sindicato de Jornalistas é uma voz importante [no processo de revisão legislativa], mas só fala pelos sindicalizados, não fala pelo jornalismo em geral. A CCPJ é um órgão de autorregulação e pode falar por todos os jornalistas”, vincou.