A jornalista Sofia Craveiro venceu o “Prémio Mário Soares, Liberdade e Democracia”, com o trabalho “Arquivos de media – memória sem garantia de preservação”, publicado na revista Gerador.
A cerimónia de entrega decorreu na quinta-feira, 26 de fevereiro, na Assembleia da Repúblicada, numa sessão presidida pelo seu presidente, José Pedro Aguiar-Branco, que destacou a relevância da investigação premiada e considerou “urgente” a “mobilização de meios do Estado e da sociedade civil para preservar o atual imenso património digital”, alertando que “a memória é um dever em democracia”.
Este prémio, no valor de 25 mil euros, foi criado no ano passado e tem como júri um deputado de cada grupo parlamentar, representantes da academia e elementos da Fundação Mário Soares.
Sofia Craveiro contou à TSF que se apercebeu de que “não existe uma lei que uniformiza o tratamento dos arquivos do jornalismo em Portugal” e, por isso, decidiu, durante dois anos, visitar órgãos de comunicação social nacionais, locais, académicos e até órgãos políticos doutrinários para saber como estavam a ser feitos os arquivos e “perceber até que ponto o tema pode causar impacto, a longo prazo, na nossa democracia”.
A jornalista admite que encontrou várias “fragilidades” causadas pela “falta de recursos”, mas também devido à “falta de consciência em relação à urgência de proteger a informação e os conteúdos divulgados”.
“Os jornais impressos são salvaguardados, por exemplo pela Biblioteca Nacional, mas aquilo que acontece com a informação que é publicada online, a informação que é divulgada via rádios e televisões é muito mais arbitrário e está muito mais sujeito a alterações posteriores. Não existem mecanismos de autenticação dessa informação, e no futuro podemos ter um cenário em que, basicamente, já não sabemos o que é que foi noticiado, quando e por quem. E isto é gravíssimo para a nossa democracia, especialmente tendo em conta o contexto de desinformação crescente em que vivemos”, explicou a jornalista.