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Declaração em defesa da ética no jornalismo encerra IX Congresso de Editores da Europa, América Latina e Caribe

O IX Congresso de Editores da Europa, América Latina e Caribe realizou-se em Alcalá de Henares, na região de Madrid. Foto: EditoRed

A sociedade contemporânea encontra-se numa encruzilhada onde a tecnologia parece ter superado a nossa capacidade de assimilação ética“, pode ler-se de “Declaração de Alcalá”, assinada em Madrid no encerramento do Congresso, a 18 de março

Alcalá de Henares, em Madrid, acolheu esta semana o 9.º Congresso de Editores da Europa, América Latina e Caribe, encontro que terminou a 18 de março com uma declaração conjunta dos representantes das cerca de 50 empresas de comunicação social presentes no evento.

Organizado desde 2008 pela EditoRed – Associação de Meios de Comunicação Social da Europa, América Latina e Caribe, este Congresso contou com o apoio do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia, Ministério dos Negócios Estrangeiros de Espanha, Comunidade de Madrid, Câmara Municipal de Alcalá de Henares, Xacobeo 2027, Universidade Rey Juan Carlos e Instituto Cervantes.

Declaração de Alcalá
A sociedade contemporânea encontra-se numa encruzilhada onde a tecnologia parece ter superado a nossa capacidade de assimilação ética. Editores de meios de comunicação da União Europeia e da América Latina, reunidos em Alcalá de Henares sob os auspícios da EditoRed, apresentam esta Declaração Institucional como resposta a um momento de transformação sistémica, marcado por conflitos armados que ameaçam a estabilidade global e por uma mutação tecnológica que desafia a própria essência da verdade. Este documento estabelece os fundamentos operacionais e éticos que, na nossa opinião, devem reger a indústria jornalística.

1. Primazia do Conceito sobre a Ferramenta
A tecnologia deve ser um meio e não um fim em si mesma. O valor distintivo do jornalismo reside na qualidade do seu conceito e na integridade ética dos seus praticantes, salvaguardando a soberania do pensamento humano contra a automatização.

2. Propriedade Intelectual e Direitos Autorais
Exigimos respeito absoluto pela propriedade intelectual das editorias e dos jornalistas. É imprescindível estabelecer marcos para o uso de conteúdo com autorização, atribuição e compensação justa pelo uso de conteúdo de jornalistas, fotógrafos e repórteres de imagem no treino de modelos de Inteligência Artificial.

3. Defesa da Soberania Linguística
Reivindicamos o espanhol e o português como ativos estratégicos. É urgente proteger a riqueza das nossas línguas dos vieses anglocêntricos da IA, garantindo uma representação equitativa da nossa identidade cultural.

4. Ética no Capital e na Governança
Denunciamos a entrada de capital de origem opaca no setor, que põe em risco a independência dos média. Diante das crises em publicações líderes como o The Washington Post, e diversas plataformas cujos proprietários e/ou fontes de financiamento são desconhecidos, instamos à proteção das redações contra interesses que não respeitam a ética jornalística.

5. Organizações e Inovação
As empresas de média precisam evoluir para modelos flexíveis que integrem o rigor do jornalismo tradicional com a ousadia das novas narrativas digitais e a sustentabilidade financeira.

6. A Economia da Lealdade versus Ruído
Estamos comprometidos em superar a tirania dos cliques e da publicidade volátil. O modelo do futuro baseia-se na lealdade do leitor, na construção de comunidades fundadas no pensamento crítico, na independência e na verificação de factos.

7. O Editor como Garante da Notícia
Revalorizamos o papel do editor como o validador máximo da informação. O julgamento humano é a única barreira eficaz contra a desinformação e as ‘alucinações’ dos sistemas automatizados.

8. Igualdade e Diversidade como Norma
Estamos comprometidos em garantir que o jornalismo seja um verdadeiro reflexo da diversidade social. A igualdade de género e a inclusão de todas as perspetivas são pilares essenciais para uma cobertura jornalística honesta e democrática.

9. Segurança para o Livre Exercício do Jornalismo
A liberdade de informação é o primeiro direito a ser violado em tempos de guerra. Exigimos proteção efetiva das instituições internacionais para jornalistas que trabalham em zonas de conflito e enfrentam perseguição.

10. Compromisso com a Paz e a Democracia
Entendemos a comunicação como um serviço público estratégico. Sem uma imprensa livre, independente e tecnologicamente ética, a capacidade crítica dos cidadãos fica enfraquecida, assim como a saúde das democracias em todo o mundo.