A distinção realiza-se por proposta da Faculdade de Letras do Porto e será entregue no dia 7 de maio, numa cerimónia no Salão Nobre da Reitoria.
Jornalista, poeta, advogado e diretor das 1.429 edições do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, até à data da suspensão da publicação, em julho de 2025, José Carlos de Vasconcelos vai ser o 107.º Doutor Honoris Causa da Universidade do Porto. A cerimónia terá lugar no dia 7 de maio, às 15 horas, no Salão Nobre da Reitoria, reconhecendo, por proposta da Faculdade de Letras, «o valor excecional de um percurso que uniu pensamento, ação, palavra e cidadania», contribuindo decisivamente «para a projeção internacional da língua portuguesa, para o prestígio das humanidades e para a afirmação dos valores sobre os quais assenta a missão» da U.Porto.
«A cultura portuguesa, a lusofonia, a imprensa livre, a memória democrática, a literatura, o ensino e a investigação em educação, letras, artes, filosofia, ciências humanas e humanidades são hoje mais ricas porque contaram, ao longo de mais de meio século, com o trabalho persistente, rigoroso e generoso» de José Carlos de Vasconcelos, lê-se na proposta da FLUP, subscrita pelos professores catedráticos Mário Jorge Barroca e José Meirinhos.
Na cerimónia de atribuição do Honoris Causa – que contará com a participação do reitor, António de Sousa Pereira, e da diretora da FLUP, Paula Pinto Costa –, o elogio de José Carlos de Vasconcelos ficará a cargo do jornalista Carlos Magno, sendo padrinho Artur Santos Silva, antigo presidente do Conselho Geral da Universidade do Porto e 78.º Honoris Causa da instituição.
Figura destacada da cultura portuguesa, José Carlos Torres Matos de Vasconcelos nasceu a 10 de setembro de 1940, em Freamunde, Paços de Ferreira, autarquia que o distinguiu com a Medalha de Ouro do concelho e com a criação de um “Observatório” com o seu nome. Viveu depois na Póvoa de Varzim e aí fez a escola e o liceu, tendo publicado, em 1960, o primeiro livro, “Canções para a Primavera”. A ligação que sempre manteve com a cidade valeu-lhe a distinção com o título de Cidadão Honorário e com a Medalha de Reconhecimento Poveiro, tendo ainda sido homenageado, em 2026, pelo festival literário Correntes d’Escritas.
José Carlos de Vasconcelos foi também distinguido, em Portugal, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade; e, no Brasil, com a Ordem do Rio Branco. É membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa, tendo-lhe sido atribuídos, entre outros prémios, o de Cultura e Responsabilidade Social, da Fundação Luso-Brasileira; o Vasco Graça Moura, Cidadania Cultural; e todos os principais de carreira do jornalismo português: Clube de Imprensa, Casa de Imprensa, Manuel Pinto de Azevedo e Gazeta.
Cursou Direito em Coimbra, onde foi dirigente estudantil, presidente da Assembleia Magna da Associação Académica, chefe de redação da Via Latina (e da revista Vértice), fundador e presidente do Círculo de Estudos Literários, ator e membro do conselho artístico do TEUC. Já licenciado, trabalhou na redação do Diário de Lisboa e presidiu à Comissão de Liberdade de Imprensa do Sindicato dos Jornalistas, do qual seria mais tarde presidente da Assembleia Geral e do Conselho Geral. Presidiu ainda à direção e à Assembleia Geral do Clube de Jornalistas.
Como advogado, defendeu presos políticos no Tribunal Plenário do Estado Novo, assim como escritores, artistas e jornalistas, sobretudo acusados de «abuso de liberdade de imprensa», tendo colaborado ativamente com músicos como Carlos Paredes e José Afonso, entre outros.
Após o 25 de Abril esteve na direção do Diário de Notícias e na direção de informação da RTP. Na televisão pública assinou, em 1974, com Fernando Assis Pacheco, o seu primeiro programa literário, “Escrever é Lutar”, tendo ainda sido comentador e pertencido ao Conselho de Opinião.
Fundou em 1975, com outros jornalistas, o semanário O Jornal, tendo sido diretor e responsável editorial do grupo, que lançou diversos outros títulos e uma editora. Fundou, com outros jornalistas, a cooperativa que deu origem à TSF/Rádio Jornal. Ex- director editorial da revista Visão, criou, em 1981, o JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, cujas 1.429 edições constituem um acervo único da língua e da cultura portuguesas.
Protagonista empenhado em diversos momentos da vida cívica nacional, José Carlos de Vasconcelos foi deputado e vice-presidente do grupo parlamentar do PRD, pertenceu à Comissão de Honra dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil, integrou o Conselho Geral da Fundação Calouste Gulbenkian e comissariou o Encontro Internacional sobre Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas, promovido pela União Latina.
Tem publicados onze livros de poesia, três infantojuvenis, dois de entrevistas, um sobre Lei e Liberdade de Imprensa, e outro com textos sobre a Póvoa de Varzim.
O título de Doutor Honoris Causa é, recorde-se, atribuído pela Universidade do Porto «a personalidades eminentes, nacionais ou estrangeiras, que se tenham distinguido na atividade académica, profissional, cultural ou política, ou que tenham contribuído, direta ou indiretamente, para o prestígio e engrandecimento da sociedade, em geral, e da Universidade do Porto, em particular».