A cerimónia de entrega dos Prémios Jornalismo em Saúde (10.ª edição), iniciativa promovida pela APIFARMA em parceria com o Clube de Jornalistas, decorreu a 17 de junho e reuniu profissionais, instituições e académicos na valorização do papel determinante do jornalismo nesta área, não apenas como veículo de informação fidedigna, mas também como instrumento de empatia, escrutínio e transformação social.
Na abertura, a presidente do Clube de Jornalistas, Maria Flor Pedroso, sublinhou a importância da parceria com a APIFARMA para premiar os trabalhos de excelência dos jornalistas desta área, tão importante para todos os cidadãos, reforçando que “a missão dos jornalistas é perguntar e explicar como tudo acontece”.
“Foi João Almeida Lopes, juntamente com o saudoso Mário Zambujal, quem teve, há mais de uma década, a visão de unirmos experiências para criar um prémio dedicado ao jornalismo na área da saúde”, lembrou. “A APIFARMA, quase a celebrar 90 anos, e o Clube de Jornalistas, com mais de 40 anos, mantêm uma relação de excelência”, disse, agradecendo a continuação deste trabalho em conjunto, “sempre ao serviço do melhor jornalismo e da defesa do Serviço Nacional de Saúde”.

O presidente da APIFARMA, João Almeida Lopes, também recordou Mário Zambujal, que nos deixou há poucos meses, pedindo simbolicamente um momento de silêncio em sua memória.
Depois, reforçou a dimensão humana desta iniciativa, destacando que este ano, uma vez mais, os trabalhos premiados “têm um carácter humano, de proximidade às pessoas e às suas debilidades”, e que contribuir para atenuar o sofrimento e aproximar‑se dos mais fragilizados é “extremamente meritório”.

Distinguida com o Prémio Carreira pelo seu contributo para o jornalismo de saúde, Helena Neves Marques, da Agência Lusa, descreveu o galardão como “o reconhecimento do trabalho de uma vida”. No seu entendimento, ser jornalista é “uma missão, nem que seja só para mudar a vida de alguém para melhor”. A jornalista destacou ainda a dimensão coletiva da profissão, repartindo o seu prémio com os seus camaradas de redação, e agradecendo de forma especial o reconhecimento a quem trabalha num contexto mais “anónimo”, típico das agências de notícias.
Sofia Neves (com Cátia Mendonça, Gabriela Pedro, Francisco Lopes, Manuel Roberto e Daniel Rocha), vencedora do Grande Prémio, com “Dislexia – Aprender com um cérebro que nos prega partidas”, publicado no Público, explicou que o trabalho premiado nasceu “da vontade de conhecer melhor a realidade das crianças, jovens e adultos que a dislexia continua a afetar”. No discurso, sublinhou que “a dislexia não é preguiça, não é falta de inteligência”, defendendo que se trata de “uma condição real que exige respostas concretas”. Destacou ainda o papel do jornalismo, que deve “dar visibilidade a problemas que muitas vezes passam despercebidos” e contribuir para aproximar conhecimento científico da sociedade.





Raquel Albuquerque e Sofia Miguel Rosa, vencedoras na categoria de Imprensa, pelo trabalho “Mortalidade chega a ser o dobro entre concelhos”, publicado no Expresso, explicaram que o seu trabalho teve como objetivo analisar desigualdades territoriais, mostrando que “a mortalidade não se mostra da mesma maneira em todo o território” e que “o código postal é um determinante importante para a probabilidade de morrer mais cedo”, alertando para disparidades que exigem mais investigação e intervenção.
Ana Sousa e Cláudia Alves Mendes, com José Guerreiro e Nelson Santos, vencedoras do Prémio Digital com o trabalho “Às vezes é preciso convencer de que se está doente: a língua como barreira na jornada dos imigrantes no SNS”, divulgado na TSF, destacaram a importância de dar voz às populações imigrantes, explicando que o trabalho surgiu da necessidade de “tentar humanizar o discurso” sobre o acesso à saúde e mostrar também como as barreiras linguísticas são um dos principais obstáculos no Serviço Nacional de Saúde.
Na categoria Rádio, Fátima Valente e André Tenente, autoras de “Ataxia de Friedriech – À Espera do Medicamento Que Já Existe”, emitido na TSF, sublinharam que distinções como esta “fazem acreditar que vale a pena insistir” em reportagens exigentes. Referiram ainda a realidade dos doentes que aguardam tratamentos, descrevendo casos de pessoas “à espera de um medicamento que pode melhorar muito a qualidade de vida”, evidenciando a urgência dos temas abordados.
Paula Martinho da Silva (com David Araújo e Maria Queirós) destacou que a reportagem vencedora da categoria Televisão, “A Aldeia Onde o Esquecimento Pode Viver”, transmitido na RTP (Linha da Frente), procurou “olhar para o Alzheimer para lá do diagnóstico”, reafirmando que “cada pessoa é muito mais do que a sua doença”.O trabalho focou‑se num modelo inovador de cuidados, promovendo valores como “liberdade, dignidade e qualidade de vida” para pessoas com demência.
Sónia Calheiros explicou que o seu trabalho, “Imunidade: Como reforçar o nosso exército”, publicado na revista Visão e vencedor do Prémio Temático (Saúde e Bem-Estar), partiu da ideia de que “o nosso sistema imunitário é robusto, mas precisa de ser cuidado”.Defendeu ainda que “ao cuidarmos do sistema imunitário estamos a fazer prevenção”, destacando o papel da informação na promoção da saúde pública.
As estudantes Liliana da Silva Costa e Sofia Martins, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, vencedoras do Prémio Universitário Revelação com o “Dossiê da Saúde Feminina”, afirmaram que o projeto surgiu devido à falta de informação sobre saúde feminina, procurando “falar de temas que as pessoas não conhecem bem”.Sublinharam ainda que muitas mulheres “demoram anos a obter diagnóstico”, enfrentando dor e impacto significativo no dia a dia.

O Júri do Prémio Jornalismo em Saúde APIFARMA/Clube de Jornalistas foi este ano composto pelos jornalistas Cesário Borga, que presidiu em nome do Clube de Jornalistas, António Borga, jornalista de reconhecido mérito, Carlos Lobato, pela Casa de Imprensa, o médico Jorge Penedo e o enfermeiro António Santos, pela APIFARMA.
O “Prémio APIFARMA/Clube de Jornalistas – Jornalismo em Saúde” tem um valor total de 23.500 euros, distribuído pelas diferentes categorias e pelo Prémio Carreira, que é atribuído por escolha do júri e não está sujeito a concurso, resultando de um protocolo assinado entre as duas entidades, em 2016, com os objetivos de aprofundar o papel da APIFARMA enquanto parceiro ativo da Sociedade Civil e contribuir para a vitalidade do projeto Clube de Jornalistas.