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Divergente vence Prémio de Jornalismo Rei de Espanha com “País de incendiários”

O podcast “País de incendiários”, de Sofia da Palma Rodrigues e Manuel Bivar, da Divergente, venceu o Prémio de Jornalismo Rei de Espanha 2025/2026, na categoria Meio Ambiente.

Atribuídos desde 1983 a trabalhos de jornalistas de países ibero-americanos, em língua espanhola e portuguesa, os Prémios Internacionais de Jornalismo Rei de Espanha são organizados pela agência de notícias espanhola EFE e pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).

Felipe VI entregou os prémios a 22 de junho, numa cerimónia na Casa América, em Madrid.

O júri da 43.ª edição distinguiu trabalhos em seis categorias, com um prémio de 10 mil euros cada, e atribuiu a “País de incendiários” o prémio de Meio Ambiente, a que se candidataram 60 trabalhos.

O júri destacou que o podcast aprofunda de forma rigorosa o tema dos incêndios, num trabalho de “constante atualidade”, com um guião e execução “que prende” quem o ouve, depois de uma viagem por Portugal para fazer o retrato do pirómano, analisando as causas estruturais dos fogos e o impacto das alterações climáticas, bem como os problemas de saúde mental, alcoolismo e revolta contra o sistema.

Em declarações à Lusa em Madrid, depois de ter recebido o prémio das mãos do Rei de Espanha, Sofia da Palma Rodrigues sublinhou a importância de um galardão como este para a sustentabilidade e projeção da Divergente, um projeto “pequeno e de jornalismo independente e jornalismo lento”, que dedica “o tempo necessário a ouvir as pessoas” para contar as histórias que pretende.

Com a Divergente foram distinguidos trabalhos de jornais como o El País e Washington Post.

Os Prémios Internacionais Rei de Espanha de Jornalismo 2025/2026 distinguiram outros cinco trabalhos nas categorias de Meio de Comunicação Ibero-Americano, Jornalismo Narrativo, Cooperação Internacional e Ação Humanitária; Cultura e Fotografia.

O Meio de Comunicação Ibero-americano distinguido foi a plataforma digital brasileira “Aos Factos”, focada na verificação de factos, e que conseguiu que fossem retiradas publicações enganosas da rede social TikTok e vídeos que sexualizavam adolescentes das plataformas da Meta.

O prémio Jornalismo Narrativo foi para o podcast da Cadena SER “Assistolia, a morte desde dentro”, coordenado pelos jornalistas Aimar Bretos e Víctor Olazábal.

A equipa de investigação de El Universal, do México, venceu em Cooperação Internacional e Ação Humanitária com um trabalho sobre as mortes por afogamento de migrantes que tentavam alcançar os EUA através do rio Bravo, feito em colaboração com a plataforma de jornalismo Lighthouse Reports e o jornal Washington Post.

Na categoria Cultura, venceu a revista Contracultura, das Honduras, que, como realçou o júri, deu o salto para o papel num tempo dominado pela Inteligência Artificial, com uma grande diversidade de temas e expressões artísticas.

O prémio de Fotografia foi para Óscar Corral, por uma imagem publicada no El País, captada numa localidade de Valência durante as inundações de outubro de 2024, quando morreram mais de 230 pessoas.