Estão abertas até 1 de setembro as candidaturas para o evento europeu de juventude “Youth Facing Disinformation – Why Journalists Matter“, que decorrerá em Estrasburgo, nos dias 9 e 10 de novembro de 2026, no âmbito da campanha do Conselho da Europa “Journalists Matter“, dedicada à promoção da segurança dos jornalistas.
Esta iniciativa reunirá 46 jovens provenientes dos Estados-Membros do Conselho da Europa para debater, aprender e trocar experiências com jornalistas, criadores de conteúdos digitais, decisores políticos, investigadores e especialistas em comunicação social.
Ao longo de dois dias, os participantes terão a oportunidade de refletir sobre o impacto da desinformação no ecossistema informativo atual, compreender a importância do jornalismo para a democracia e explorar formas de reforçar a integridade da informação e a resiliência democrática.
O programa combinará uma conferência de alto nível no Palais de l’Europe com sessões de trabalho interativas no European Youth Centre Strasbourg. Entre os temas em destaque incluem-se:
A desinformação e a manipulação da informação;
O jornalismo na era digital;
A literacia mediática e a inteligência artificial;
A segurança dos jornalistas e a resiliência democrática.
Podem candidatar-se jovens entre os 18 e os 30 anos, residentes num Estado-Membro do Conselho da Europa, com interesse ou experiência em áreas como Jornalismo e comunicação social; Criação de conteúdos digitais; Literacia mediática e da informação; Educação e trabalho com jovens; Direitos humanos e participação democrática; Verificação de factos, inteligência artificial e integridade da informação.
São particularmente encorajadas as candidaturas de jornalistas, estudantes de jornalismo, criadores de conteúdos, líderes juvenis, educadores, investigadores e representantes de organizações juvenis e da sociedade civil. As línguas de trabalho são o inglês e francês, com interpretação durante as sessões plenárias. O Conselho da Europa assegurará as despesas de viagem, alojamento e alimentação dos participantes selecionados.
As candidaturas podem ser formalizadas através deste formulário, até 1 de setembro. A comunicação dos resultados será feita até 17 de setembro.
A Administração da Media9 informou que André Macedo terminou no final de julho o seu mandato como diretor do Jornal Económico, cargo que assumiu há dois anos.
Não foram apresentadas razões para a saída, tendo a administração sublinhado que André Macedo “deixa o jornal premiado e com resultados em contínuo crescimento”.
Ricardo Santos Ferreira, até agora subdiretor, assume a direção interina até final de agosto, anunciou a Media9.
André Macedo foi diretor adjunto da RTP, diretor do Diário de Notícias, Dinheiro Vivo, Diário Económico e Jornal Económico, tendo sido também diretor-executivo do jornal “i”.
Francisco Aguilar, um jornalista conhecido pelas suas posições críticas em relação às autoridades locais do Estado de Oaxaca, no sul do México, foi assassinado esta quinta-feira, 23 de julho, quando almoçava num restaurante, informaram o governo e o ministério público locais.
Antigo diretor de um canal de televisão local e autor de uma crónica política online, Francisco Alejandro Leyva Aguilar foi baleado por indivíduos armados que circulavam de moto na comuna de San Pablo Etla, precisou uma fonte do ministério público à agência de notícias francesa AFP.
Segundo os Repórteres Sem Fronteiras (RSF), este é o sétimo jornalista assassinado no México em 2026.
O governador de Oaxaca, Salomon Jara, condenou o assassinato do “jornalista crítico” em relação ao seu governo, mas cujo “direito de questionar” os líderes políticos respeitava.
Um outro jornalista especializado em questões de segurança foi assassinado na semana passada no Estado de Puebla (centro), e no início de julho uma diretora de um meio de comunicação local foi levada de casa em meados de junho e foi encontrada morta em Veracruz (leste).
O México é um dos países mais perigosos para se trabalhar como jornalista, com mais de 150 profissionais assassinados desde 1994, dos quais nove em 2025, segundo a RSF.
Realizou-se a 22 de julho a 7.ª edição das “Conversas de Jornalistas”, iniciativa do Clube que juntou, uma vez mais, três gerações da profissão: José Ferreira Fernandes, 78 anos, hoje cronista da Mensagem de Lisboa, José Manuel Mestre, 60 anos, repórter da SIC, e Andreia Friaças, 30 anos, colaboradora da RTP2 e do Público.
Foram quase duas horas de conversa, com moderação de Maria Flor Pedroso, transmitida em direto no YouTube com o apoio do Cenjor, e disponível em podcast para utilização por qualquer órgão de comunicação social, com a identificação do Clube de Jornalistas.
Perante uma plateia composta por muitos jornalistas de referência, refletiram sobre os percursos que os levaram ao jornalismo, os problemas atuais das redações e a importância de recuperar a reportagem, a observação e o contacto com as pessoas – ou, como disse Ferreira Fernandes, a necessidade de voltar a “olhar, ver e contar”.
Ao recordar o seu percurso, José Ferreira Fernandes recusou a ideia de um momento único que o tenha levado ao jornalismo. Para o escritor e cronista, a verdadeira escola foi a vida. “Aquilo que eu faço é determinado pelo facto de ter nascido no lugar onde nasci. Luanda, as pessoas, o momento em que vivi, o telúrio que aquilo tem e a lição que me deram de jornalismo.”
A sua definição da profissão foi repetida várias vezes durante a sessão: “Aquilo que me ensinou foi olhar, ver e contar.”
Ferreira Fernandes recordou a infância em Angola, as imagens que o marcaram e as leituras que fizeram a sua formação. “Eu lia o Cruzeiro e a Manchete. Lia o português mais bem escrito do jornalismo, como nunca se escreveu em Portugal.”
Foto: Inácio Ludgero
Também evocou o impacto da experiência em Paris após a deserção do Exército português durante a Guerra Colonial. “Em Paris foram cinco anos. Vi Paris, li muito, vi filmes, li jornais. Cheguei cá com 1800 doutoramentos. Foram mesmo doutoramentos: cinco anos a ler o mundo e tudo o que havia para ler.”
O jornalista defendeu que a essência da profissão continua a estar na capacidade de identificar aquilo que os outros não veem. “Isto é o que os jornalistas devem contar. Ponto.”
José Manuel Mestre: “O jornalismo é ir à rua ver se está a chover”
José Manuel Mestre recordou que a paixão pelo jornalismo nasceu cedo através da rádio. “Aos 13 anos queria ser jornalista. Ouvia muito rádio e apaixonei-me pelo jornalismo.”
Para o repórter da SIC, a grande missão da profissão continua a ser a mesma: “É conseguir mostrar aos outros o que estás a ver.”
Grande parte da sua intervenção foi dedicada às mudanças nas redações e ao que considera serem fragilidades do jornalismo contemporâneo.
“Hoje pegamos num comando, fazemos zapping e parece que estiveram todos na mesma reunião a planear as notícias das oito”, disse, criticando a uniformização dos noticiários.
“O jornalismo hoje conta muito pouco a realidade. Distanciou-se das pessoas. Não quer saber das pessoas.”
Criticou também o excesso de comentário e a escassez de reportagem. “Há um senhor que diz que está a chover e há outro que diz que está a fazer sol. Jornalismo não é ouvir os dois. Jornalismo é ir à janela ver se está a chover.”
Defendeu por isso mais investimento na investigação jornalística, porque “o papel do jornalismo não é ficar sentado, é ir à procura”.
Andreia Friaças: “Se os jornalistas se demitem da função de informar, outros o farão”
A jornalista da RTP2 explicou que o seu interesse pelo jornalismo nasceu de múltiplas influências, desde a música de intervenção ao programa Sinais, de Fernando Alves. “Não houve um único momento. Foram várias coisas que abriram mundo.”
Hoje dedicada ao público infantojuvenil através do programa Radar XS, na RTP2, considera que informar crianças é uma responsabilidade crescente. “As crianças estão expostas à informação. Se os jornalistas se demitem da função de as informar, outras pessoas o irão fazer.”
“Não alinho nada na ideia de que as crianças só têm estômago para notícias light”, disse, contrariando ideias feitas. “É possível explicar o que foi uma pandemia, o que está a acontecer na Palestina, o que está a acontecer na Ucrânia ou porque há eleições antecipadas.”
Andreia Friaças destacou também a precariedade das redações atuais. “Há salários baixíssimos, horas infinitas de trabalho, instabilidade laboral.” Ainda assim, sublinhou a resistência da profissão: “Há uma grande resistência dos jornalistas perante estas dificuldades. E há também uma luta em fazer um trabalho digno e um trabalho com qualidade.”
O jornalismo das pessoas comuns
Um dos temas centrais da conversa foi a necessidade de recuperar histórias de proximidade. José Ferreira Fernandes deu vários exemplos do trabalho da Mensagem de Lisboa e explicou aquilo que considera ser a obrigação fundamental de um jornalista.
Entre as histórias que gostaria de ver mais vezes nos jornais, referiu as mulheres da limpeza que chegam de madrugada a Lisboa para trabalhar. “Eu quero que o meu jornal vá agradecer a estas senhoras às cinco e meia da manhã.”
O cronista defendeu igualmente que os jornalistas devem criar espaço para ouvir cidadãos anónimos.
Nos momentos finais, José Manuel Mestre perguntou a José Ferreira Fernandes para quem escrevia. A resposta resumiu boa parte da filosofia que percorreu toda a conversa: “Eu escrevo para eu ler.”
E acrescentou: “O leitor é o cliente e tem de ser respeitado. Não se escreve para massas porque as massas não existem. Tem que se falar para cada um para juntar muitos.”
Esta foi a 7.ª sessão desta iniciativa que teve início em janeiro, com uma homenagem a José Carlos de Vasconcelos, com a participação de Pedro Coelho e Tatiana Felício. Em fevereiro, o foco esteve em Eugénio Alves, à conversa com Clara de Sousa e João Porfírio. Em março, Fernanda Mestrinho conversou com Miguel Carvalho e Sofia Craveiro. Em abril, ouvimos Cesário Borga, José Manuel Rosendo e Ana Tulha. Em maio foi a vez de Daniel Reis ser homenageado, tendo por companhia Ricardo Alexandre e Vânia Maia. Em junho, Ribeiro Cristóvão conversou com Rui Tavares Guedes e Cátia Bruno.
Estão abertas as candidaturas para a 2.ª edição do Prémio Voices até 23 de agosto. Esta é uma iniciativa financiada pela União Europeia para celebrar o jornalismo e a liberdade de expressão na Europa.
Jornalistas, estagiários e estudantes de jornalismo em Portugal, bem como de todos os outros países da União Europeia, podem candidatar-se às seguintes categorias:
– Imprensa
– Radio e Podcast
– Vídeo e Documentário
– Storytelling digital e Mídias digitais
– Banda-desenhada e cartoons
– Fotojornalismo
– Literacia mediática
Cada vencedor recebe um prémio no valor de 1.200€. A categoria do prémio Lorenzo Natali dedica-se nesta edição exclusivamente a candidatos não-participantes da União Europeia.
O jornalista Mourad Zeghidi está detido desde 2024. Foto: RSF
A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) condenou o que considera a criminalização do jornalismo na Tunísia e pediu à ONU para intervir contra os “ataques sistemáticos” à liberdade de imprensa e ao direito à informação no país.
Em comunicado, a RSF alerta para o “número crescente de processos contra jornalistas” num “contexto de repressão crescente”.
A organização adiantou ter enviado ao relator especial das Nações Unidas para a Liberdade de Expressão, Leopoldo Maldonado, o caso do jornalista Mourad Zeghidi, detido desde maio de 2024 ao abrigo do decreto-lei 54, que pune a divulgação de “rumores e notícias falsas” com penas até 10 anos de prisão.
Segundo a RSF, o caso de Zeghidi, acusado devido às suas “atividades jornalísticas” durante a participação no programa de debate radiofónico Émission Impossible, da rádio privada IFM, não é “um caso isolado”, mas “ilustra a crescente criminalização do jornalismo na Tunísia“.
A comunicação enviada ao relator especial da ONU “documenta as violações da liberdade de imprensa e do direito à informação neste caso emblemático” e manifesta preocupação com o recurso “cada vez mais frequente” a disposições penais e à legislação antiterrorista para instaurar processos contra jornalistas.
Sérgio Figueiredo, diretor executivo do Conta Lá, anunciou a saída do canal que fundou há menos de um ano. As dificuldades financeiras do projeto têm mantido dezenas de jornalistas com salários em atraso. Em julho foi anunciado um processo de lay-off e o futuro do canal será discutido numa assembleia-geral de acionistas, marcada para 6 de agosto.
“Sei que nada disto paga o que vos é devido – e é a essa dívida que a nova Comissão de Gestão deverá responder primeiro. Resta-me somar a essa angústia o peso de saber que se podia ter feito mais. Começar com a confiança de quem nos segue é das sensações mais extraordinárias da realização humana, acabar com a incapacidade de responder ao desespero de quem nos olha à espera de respostas, é uma desgraça que não desejo a ninguém. Tornou-se insuportável viver sem respostas”, escreveu Sérgio Figueiredo num email enviado aos trabalhadores.
“Não é o fim do projeto, é simplesmente o meu fim nele”, asseguorou o jornalista.
Depois de ser demitido da direção da TVI por Mário Ferreira em 2020, Sérgio Figueiredo foi nomeado consultor de Fernando Medina no Ministério das Finanças, em 2022. A notícia gerou muita polémica e o ex-jornalista acabaria por renunciar ao cargo.
Em 2025 juntou um grupo de investidores para criar o “Conta Lá”. Anunciado com grande ambição, prometendo revolucionar o consumo de informação regional e contratando mais de 200 trabalhadores, a primeira grande operação do “Conta Lá” foi nas eleições autárquicas, com a promoção de debates em todo o país. O canal teve depois sete meses de emissão regular, com audiências marginais, com uma média diária abaixo dos mil telespetadores.
O livro “Jornalismo Parlamentar: 50 anos de uma especialidade jornalística“, coordenado por Jaime Lourenço e editado pela Tinta da China, é apresentado no próximo dia 15 de julho na Assembleia da República.
Esta obra surge no âmbito das comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril e pretende analisar como se desenvolveu o jornalismo parlamentar, especialidade jornalística característica do sistema político-mediático português. O livro traça “um olhar a partir de uma perspetiva crítica para a especialidade jornalística que integra, vive e mergulha na atividade política e parlamentar”.
A obra conta com o contributo de mais de 20 autores, uma equipa multidisciplinar com académicos dos Estudos dos Media, Ciências da Comunicação, História Contemporânea, Ciências Sociais e Ciência Política, e jornalistas de política de vários órgãos de comunicação social.
O livro abre com um texto de Jaime Lourenço, coordenador da obra, intitulado Jornalismo Parlamentar em Portugal: o pulmão da democracia onde é apresentada uma caracterização extensa do jornalismo parlamentar, das suas características, especificidades e reflexões com base em entrevistas a antigas e atuais repórteres parlamentares de diferentes gerações e com experiências distintas.
O livro encontra-se dividido em três partes distintas, embora complementares. Na primeira parte, olhamos para uma análise histórica da cobertura jornalística realizada ao longo de cinco décadas, cartografada em seis capítulos, tendo em consideração as alterações das rotinas produtivas dos media, da prática jornalística, e da própria evolução e mutações da política nacional. São autores Pedro Marques Gomes, da Escola Superior de Comunicação Social; Álvaro Costa de Matos, da Hemeroteca Municipal de Lisboa; Paula Espírito Santo, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas; Susana Rogeiro Nina, da Universidade Lusófona; Susana Barros, da Antena 1; Filipe Resende, da Universidade Católica Portuguesa; Raquel Trindade, da Universidade Católica Portuguesa; e João Morais do Carmo, da TVI/CNN Portugal.
A segunda parte é dedicada a estudos, ensaios e reflexões centrados no presente e no futuro do Parlamento português, da participação cívica e a relação dos cidadãos com os media, e dos jovens com o Parlamento e com o jornalismo. Os autores são: Carla Martins, da Entidade Reguladora para a Comunicação Social; Hélder Prior, da Universidade Autónoma de Lisboa; José Santana Pereira, do Iscte; André Catita, do Iscte; Leonor Pires, do Iscte; Paula Lopes, da Universidade Autónoma de Lisboa; Sofia Ferro-Santos, da Universidade Europeia; Gustavo Cardoso, do Iscte; Vasco Ribeiro, da Universidade do Porto; Tiago Durães, da Universidade do Porto, Vinicius Albernaz, da Universidade da Beira Interior, e Hugo Ferrinho Lopes, da Universidade do Minho.
Já a terceira e última parte é constituída pela palavra dos presidentes da Assembleia da República: João Mota Amaral em entrevista conduzida por Joana Reis, da Universidade Autónoma de Lisboa, Augusto Santos Silva em perfil por João Ferreira Oliveira, da Universidade Autónoma de Lisboa, e José Pedro Aguiar‑Branco em entrevista realizada por Sandra Antunes, da TVI/CNN Portugal.
O prefácio da obra tem assinatura do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, em que descreve:
“Este livro, coordenado pelo professor Jaime Lourenço e produzido em contexto académico, procura lançar um novo e oportuno olhar sobre a História do jornalismo parlamentar no nosso país, articulando a análise do passado com o estudo e a reflexão sobre os desafios presentes e futuros da imprensa. Coloca, deste modo, à disposição dos leitores portugueses uma importante abordagem sobre a comunicação social e os corredores do Parlamento; a história das mulheres e dos homens que contaram a nossa história comum; a crónica dos jornalistas que ajudaram a assegurar, nestes 50 anos, a transparência da nossa democracia.”
José Ferreira Fernandes estará à conversa no Clube de Jornalistas a 22 de julho. Foto: Mensagem de Lisboa
Na quarta-feira, 22 de julho, às 18h00, homenageamos José Ferreira Fernandes, naquela que será a 7.ª edição das “Conversas de Jornalistas”, iniciativa que concretiza o mote do Clube nos seus 40 anos: “Lançar ideias, premiar os melhores, juntar jornalistas de todas as gerações”.
A 22 de julho queremos encher a sede do Clube de Jornalistas para homenagear Ferreira Fernandes, 78 anos, uma das maiores referências do jornalismo português. Nascido em Luanda em 1948, fez uma longa carreira na imprensa portuguesa, do Diário Popular ao Diário de Notícias, passando pelo Público, Visão, Focus, Sábado, entre outras publicações. Publicou uma mão cheia de livros, onde se destacam “Os Primos da América” e “Crónicas de Lisboa”, e recebeu vários prémios, entre eles o “Bordalo”, da Casa da Imprensa, e o prémio “Jornalista do Ano”, do Clube de Jornalistas do Porto. Atualmente escreve no jornal digital Mensagem de Lisboa, que fundou em 2020 com Catarina Carvalho.
À conversa vão juntar-se José Manuel Mestre e Andreia Friaças, representantes de diferentes gerações do nosso jornalismo.
Jornalista da SIC, José Manuel Mestre iniciou a carreira em 1985 e integrou, três anos depois, a equipa fundadora da TSF, a primeira rádio de informação do país. Participou igualmente na criação da SIC Notícias, o primeiro canal de informação televisiva em Portugal, onde viria a desempenhar funções de diretor-adjunto entre 2001 e 2003. Ao longo do percurso profissional passou também pela RTP e pelo jornal Record, colaborando ainda com publicações como o Diário Popular, o Diário do Alentejo e o Expresso.
Andreia Friaças recebeu o Prémio Gazeta Revelação – 2020 e tem trabalhado como freelancer para a RTP2 e para o Público. Recebeu também o prémio Balobeshayi, atribuído pela ONU, com um projecto que juntou mulheres imigrantes e poesia.
A conversa será moderada por Maria Flor Pedroso e transmitida em direto pelo YouTube, com o apoio do Cenjor. O encontro será gravado e posteriormente disponibilizado em formato podcast, podendo ser utilizado por qualquer órgão de comunicação social, mediante identificação do Clube de Jornalistas.
Ao longo de cerca de duas horas, haverá espaço para falar sobre o trabalho de cada um, identificando o que foi determinante nas suas vidas profissionais, e como vêem o jornalismo que se faz hoje e o que faz falta fazer no futuro.
Onde estamos a falhar, porque estamos a chegar a menos pessoas? Quando e como é que perdemos a nossa credibilidade? Ou a nossa dignidade? Porque tem sido perdido o controlo editorial para o poder político e económico? Quais as boas experiências e práticas que estão a acontecer e que nos entusiasmam? Este é um ponto de partida possível para percebermos o que está nas nossas mãos melhorar, exigir e não desistir.
Em janeiro, o homenageado nas “Conversas de Jornalistas” foi José Carlos de Vasconcelos, com a participação de Pedro Coelho e Tatiana Felício. Em fevereiro, o foco esteve em Eugénio Alves, à conversa com Clara de Sousa e João Porfírio. Em março, Fernanda Mestrinho conversou com Miguel Carvalho e Sofia Craveiro. Em abril, ouvimos Cesário Borga, José Manuel Rosendo e Ana Tulha. Em maio foi a vez de Daniel Reis ser homenageado, tendo por companhia Ricardo Alexandre e Vânia Maia. Em junho, e em tempo de Mundial de Futebol, Ribeiro Cristóvão esteve à conversa com Rui Tavares Guedes e Cátia Bruno.
Duas equipas portuguesas de jornalistas e cientistas foram selecionadas na segunda ronda de bolsas do “Journalism Science Alliance” (JSA), um programa cofinanciado pela União Europeia que promove o jornalismo de investigação baseado em evidências científicas. A informação foi avançada pelos líderes do projeto, a Universidade Nova de Lisboa e o European Journalism Centre.
Helena Pereira, editora do Público, e Guilherme Loureiro, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, vão desenvolver o projeto “Genealogia do Poder”, para identificar as genealogias dos detentores de posições-chave em todos os governos portugueses desde 1926.
“Vamos analisar as ligações familiares dos principais políticos, focando na pesquisa da permeabilidade da classe política à mobilidade social ao longo das décadas e através de dois regimes: autoritarismo (1926-1974) e democracia (desde 1974).
Já o jornalista Frederico Raposo, da Mensagem de Lisboa, vai fazer equipa com o investigador Eduardo Ascensão, do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT), da Faculdade de Letras de Lisboa. “Quem possui Lisboa?” é a pergunta a que vão procurar responder.
Perante uma aguda crise de habitação, o projeto procura superar uma ausência crítica de conhecimento, através da ligação de uma extensa base de dados de registo predial com o mundo real, através de análise empírica e rastreio de ativos empresariais.
Os autores adiantam que, focados no centro de Lisboa, vão procurar apurar a realidade sistemática das estruturas de propriedade imobiliária, como investimento especulativo, propriedade empresarial, alugueres de curto prazo e antigos ativos públicos.
Na agenda de Raposo e Ascensão está a produção de seis artigos multimédia com o objetivo de substituir impressões por evidências, permitindo um debate público mais transparente e informado sobre as causas da desigualdade habitacional. Nesta segunda convocatória, o programa atribuiu um total de 995 mil euros em financiamento a 25 projetos de 14 países europeus.
Desde o seu lançamento em 2025, o JSA já recebeu um total de 339 candidaturas e selecionou 49 projetos, totalizando um investimento que ascende a quase dois milhões de euros para fortalecer a credibilidade do jornalismo de investigação na Europa.
Cada projeto é composto por uma parceria entre um órgão de comunicação social e uma instituição de investigação, sendo obrigatoriamente liderado por um jornalista e coliderado por um cientista.
Além de Portugal, a rede de equipas selecionadas nesta segunda ronda abrange organizações da Bulgária, República Checa, Estónia, França, Alemanha, Hungria, Itália, Países Baixos, Polónia, Roménia, Eslovénia, Espanha e Ucrânia.
No total, considerando todos os parceiros envolvidos, a abrangência do programa estende-se a 24 países europeus. As investigações, que terão a duração de oito meses, focam-se em temas de elevado interesse público. A maioria dos projetos selecionados dedica-se a questões ambientais, mas estão também cobertas áreas como a saúde, a justiça e a tecnologia.