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Ferreira Fernandes é o homenageado de julho nas “Conversas de Jornalistas”

José Ferreira Fernandes estará à conversa no Clube de Jornalistas a 22 de julho. Foto: Mensagem de Lisboa

Na quarta-feira, 22 de julho, às 18h00, homenageamos José Ferreira Fernandes, naquela que será a 7.ª edição das “Conversas de Jornalistas”, iniciativa que concretiza o mote do Clube nos seus 40 anos: “Lançar ideias, premiar os melhores, juntar jornalistas de todas as gerações”.

A 22 de julho queremos encher a sede do Clube de Jornalistas para homenagear Ferreira Fernandes, 78 anos, uma das maiores referências do jornalismo português. Nascido em Luanda em 1948, fez uma longa carreira na imprensa portuguesa, do Diário Popular ao Diário de Notícias, passando pelo Público, Visão, Focus, Sábado, entre outras publicações. Publicou uma mão cheia de livros, onde se destacam “Os Primos da América” e “Crónicas de Lisboa”, e recebeu vários prémios, entre eles o “Bordalo”, da Casa da Imprensa, e o prémio “Jornalista do Ano”, do Clube de Jornalistas do Porto. Atualmente escreve no jornal digital Mensagem de Lisboa, que fundou em 2020 com Catarina Carvalho.

À conversa vão juntar-se José Manuel Mestre e Inês Loureiro Pinto, representantes de diferentes gerações do nosso jornalismo.

Jornalista da SIC, José Manuel Mestre iniciou a carreira em 1985 e integrou, três anos depois, a equipa fundadora da TSF, a primeira rádio de informação do país. Participou igualmente na criação da SIC Notícias, o primeiro canal de informação televisiva em Portugal, onde viria a desempenhar funções de diretor-adjunto entre 2001 e 2003. Ao longo do percurso profissional passou também pela RTP e pelo jornal Record, colaborando ainda com publicações como o Diário Popular, o Diário do Alentejo e o Expresso.

Inês Loureiro Pinto, jornalista freelancer natural de Braga, foi distinguida com o Prémio Gazeta Revelação 2023 por uma reportagem exibida no programa Biosfera, da RTP2. Em 2025 recebeu a Bolsa de Jornalismo Gerador GEOTA e mantém colaboração regular com vários órgãos de comunicação social, entre os quais o Público e a revista E, do Expresso.

A conversa será moderada por Maria Flor Pedroso e transmitida em direto pelo YouTube, com o apoio do Cenjor. O encontro será gravado e posteriormente disponibilizado em formato podcast, podendo ser utilizado por qualquer órgão de comunicação social, mediante identificação do Clube de Jornalistas.

Ao longo de cerca de duas horas, haverá espaço para falar sobre o trabalho de cada um, identificando o que foi determinante nas suas vidas profissionais, e como vêem o jornalismo que se faz hoje e o que faz falta fazer no futuro.

Onde estamos a falhar, porque estamos a chegar a menos pessoas? Quando e como é que perdemos a nossa credibilidade? Ou a nossa dignidade? Porque tem sido perdido o controlo editorial para o poder político e económico? Quais as boas experiências e práticas que estão a acontecer e que nos entusiasmam? Este é um ponto de partida possível para percebermos o que está nas nossas mãos melhorar, exigir e não desistir.

Em janeiro, o homenageado nas “Conversas de Jornalistas” foi José Carlos de Vasconcelos, com a participação de Pedro Coelho e Tatiana Felício. Em fevereiro, o foco esteve em Eugénio Alves, à conversa com Clara de Sousa e João Porfírio. Em março, Fernanda Mestrinho conversou com Miguel Carvalho e Sofia Craveiro. Em abril, ouvimos Cesário Borga, José Manuel Rosendo e Ana Tulha. Em maio foi a vez de Daniel Reis ser homenageado, tendo por companhia Ricardo Alexandre e Vânia Maia. Em junho, e em tempo de Mundial de Futebol, Ribeiro Cristóvão esteve à conversa com Rui Tavares Guedes e Cátia Bruno.

Todas as “Conversas de Jornalistas” podem ser ouvidas no podcast do Clube de Jornalistas, no Spotify.

Livro sobre 50 anos de jornalismo parlamentar lançado a 15 de julho

O livro “Jornalismo Parlamentar: 50 anos de uma especialidade jornalística“, coordenado por Jaime Lourenço e editado pela Tinta da China, é apresentado no próximo dia 15 de julho na Assembleia da República. 

Esta obra surge no âmbito das comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril e pretende analisar como se desenvolveu o jornalismo parlamentar, especialidade jornalística característica do sistema político-mediático português. O livro traça “um olhar a partir de uma perspetiva crítica para a especialidade jornalística que integra, vive e mergulha na atividade política e parlamentar”.

A obra conta com o contributo de mais de 20 autores, uma equipa multidisciplinar com académicos dos Estudos dos MediaCiências da ComunicaçãoHistória ContemporâneaCiências Sociais e Ciência Política, e jornalistas de política de vários órgãos de comunicação social.

O livro abre com um texto de Jaime Lourenço, coordenador da obra, intitulado Jornalismo Parlamentar em Portugal: o pulmão da democracia onde é apresentada uma caracterização extensa do jornalismo parlamentar, das suas características, especificidades e reflexões com base em entrevistas a antigas e atuais repórteres parlamentares de diferentes gerações e com experiências distintas.

O livro encontra-se dividido em três partes distintas, embora complementares. Na primeira parte, olhamos para uma análise histórica da cobertura jornalística realizada ao longo de cinco décadas, cartografada em seis capítulos, tendo em consideração as alterações das rotinas produtivas dos media, da prática jornalística, e da própria evolução e mutações da política nacional. São autores Pedro Marques Gomes, da Escola Superior de Comunicação Social; Álvaro Costa de Matos, da Hemeroteca Municipal de Lisboa; Paula Espírito Santo, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas; Susana Rogeiro Nina, da Universidade Lusófona; Susana Barros, da Antena 1; Filipe Resende, da Universidade Católica Portuguesa; Raquel Trindade, da Universidade Católica Portuguesa; e João Morais do Carmo, da TVI/CNN Portugal.

A segunda parte é dedicada a estudos, ensaios e reflexões centrados no presente e no futuro do Parlamento português, da participação cívica e a relação dos cidadãos com os media, e dos jovens com o Parlamento e com o jornalismo. Os autores são: Carla Martins, da Entidade Reguladora para a Comunicação Social; Hélder Prior, da Universidade Autónoma de Lisboa; José Santana Pereira, do Iscte; André Catita, do Iscte; Leonor Pires, do Iscte; Paula Lopes, da Universidade Autónoma de Lisboa; Sofia Ferro-Santos, da Universidade Europeia; Gustavo Cardoso, do Iscte; Vasco Ribeiro, da Universidade do Porto; Tiago Durães, da Universidade do Porto, Vinicius Albernaz, da Universidade da Beira Interior, e Hugo Ferrinho Lopes, da Universidade do Minho.

Já a terceira e última parte é constituída pela palavra dos presidentes da Assembleia da República: João Mota Amaral em entrevista conduzida por Joana Reis, da Universidade Autónoma de Lisboa, Augusto Santos Silva em perfil por João Ferreira Oliveira, da Universidade Autónoma de Lisboa, e José Pedro Aguiar­‑Branco em entrevista realizada por Sandra Antunes, da TVI/CNN Portugal.

O prefácio da obra tem assinatura do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, em que descreve:

“Este livro, coordenado pelo professor Jaime Lourenço e produzido em contexto académico, procura lançar um novo e oportuno olhar sobre a História do jornalismo parlamentar no nosso país, articulando a análise do passado com o estudo e a reflexão sobre os desafios presentes e futuros da imprensa. Coloca, deste modo, à disposição dos leitores portugueses uma importante abordagem sobre a comunicação social e os corredores do Parlamento; a história das mulheres e dos homens que contaram a nossa história comum; a crónica dos jornalistas que ajudaram a assegurar, nestes 50 anos, a transparência da nossa democracia.”

Jornalistas portugueses ganham bolsa de investigação europeia

Redação do Público. Foto: Daniel Rocha

Duas equipas portuguesas de jornalistas e cientistas foram selecionadas na segunda ronda de bolsas do “Journalism Science Alliance” (JSA), um programa cofinanciado pela União Europeia que promove o jornalismo de investigação baseado em evidências científicas. A informação foi avançada pelos líderes do projeto, a Universidade Nova de Lisboa e o European Journalism Centre.

Helena Pereira, editora do Público, e Guilherme Loureiro, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, vão desenvolver o projeto “Genealogia do Poder”, para identificar as genealogias dos detentores de posições-chave em todos os governos portugueses desde 1926.

“Vamos analisar as ligações familiares dos principais políticos, focando na pesquisa da permeabilidade da classe política à mobilidade social ao longo das décadas e através de dois regimes: autoritarismo (1926-1974) e democracia (desde 1974).

Já o jornalista Frederico Raposo, da Mensagem de Lisboa, vai fazer equipa com o investigador Eduardo Ascensão, do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT), da Faculdade de Letras de Lisboa. “Quem possui Lisboa?” é a pergunta a que vão procurar responder.

Perante uma aguda crise de habitação, o projeto procura superar uma ausência crítica de conhecimento, através da ligação de uma extensa base de dados de registo predial com o mundo real, através de análise empírica e rastreio de ativos empresariais.

Os autores adiantam que, focados no centro de Lisboa, vão procurar apurar a realidade sistemática das estruturas de propriedade imobiliária, como investimento especulativo, propriedade empresarial, alugueres de curto prazo e antigos ativos públicos.

Na agenda de Raposo e Ascensão está a produção de seis artigos multimédia com o objetivo de substituir impressões por evidências, permitindo um debate público mais transparente e informado sobre as causas da desigualdade habitacional. Nesta segunda convocatória, o programa atribuiu um total de 995 mil euros em financiamento a 25 projetos de 14 países europeus.

Desde o seu lançamento em 2025, o JSA já recebeu um total de 339 candidaturas e selecionou 49 projetos, totalizando um investimento que ascende a quase dois milhões de euros para fortalecer a credibilidade do jornalismo de investigação na Europa.

Cada projeto é composto por uma parceria entre um órgão de comunicação social e uma instituição de investigação, sendo obrigatoriamente liderado por um jornalista e coliderado por um cientista.

Além de Portugal, a rede de equipas selecionadas nesta segunda ronda abrange organizações da Bulgária, República Checa, Estónia, França, Alemanha, Hungria, Itália, Países Baixos, Polónia, Roménia, Eslovénia, Espanha e Ucrânia.

No total, considerando todos os parceiros envolvidos, a abrangência do programa estende-se a 24 países europeus. As investigações, que terão a duração de oito meses, focam-se em temas de elevado interesse público. A maioria dos projetos selecionados dedica-se a questões ambientais, mas estão também cobertas áreas como a saúde, a justiça e a tecnologia.

O Rolo Compressor do Jornalismo: Retratos de uma Profissão em Esforço

Baseado em 50 entrevistas a profissionais de diferentes meios, este estudo de Rita Araújo, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, da Universidade do Minho, revela um cenário preocupante: jornalistas esgotados, precarizados, expostos a violência crescente e a uma cultura de trabalho que normalizou o desgaste.

O jornalismo tem-se confrontado com inúmeros desafios e transformações nas últimas décadas, não só pela evolução tecnológica e digital, mas também pelos constrangimentos estruturais no negócio dos média, que se carateriza, atualmente, pela crescente concentração da propriedade e por um visível colapso dos modelos de negócio.

A degradação das condições de trabalho, a precariedade e a violência contra os jornalistas podem contribuir para o esforço emocional, tendo impacto na sua saúde física e mental, no bem-estar e qualidade de vida, mas também na qualidade do próprio jornalismo.

Embora muitas destas dimensões decorram de problemas estruturais da indústria dos média, como o declínio de vendas e da receita publicitária, há aspetos contextuais que contribuem para um agravamento. A pandemia de COVID-19 foi um desses momentos, e vários inquéritos aos jornalistas deixavam, já, antever uma crescente deterioração das condições em que o jornalismo estava a ser exercido (Araújo et al., 2023; Camponez et al., 2020). No entanto, não existiam, ainda, dados que nos permitissem compreender o esforço emocional dos jornalistas e a sua relação com as dimensões aqui enunciadas.

Este estudo teve como objetivo perceber as perceções dos jornalistas portugueses relativamente ao esforço emocional na prática diária, as suas causas, consequências, e a existência de estratégias de suporte. Para isso, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 50 jornalistas provenientes de vários tipos de meios de comunicação.

Os resultados dão conta de uma realidade preocupante, e que nos deve fazer refletir enquanto sociedade. Jornalistas precários não são jornalistas livres, tal como não o são os jornalistas que temem pela sua segurança.

Pedro Caldeira Rodrigues, “Fotógrafo Improvável” na Casa da Imprensa

Pedro Caldeira Rodrigues. Foto: Clube de Jornalistas

Inaugura esta quarta-feira, dia 1 de julho, a exposição “Fotógrafo Improvável”, que reúne fotografias de Pedro Caldeira Rodrigues, jornalista de Política Internacional, fundador do Público em 1990 e desde 2011 na Agência Lusa, vencedor do Prémio Gazeta de Imprensa 2022, com as suas reportagens na Ucrânia.

Sem nunca ter procurado construir uma carreira fotográfica, Pedro Caldeira Rodrigues foi construindo um vasto arquivo visual dos conflitos que cobriu ao longo das últimas décadas, em vários pontos do mundo, mas também de outros momentos significativos da sua vida.

Nesta exposição mistura-se o interrail da sua juventude ao Círculo Polar Ártico com os rostos do fim da Jugoslávia ou da resistência em Chiapas e da inocência em Timor Lorosae. A dureza da guerra da Ucrânia, da dívida soberana na Grécia ou da era Erdogan, na Turquia, com momentos de evasão nos Andes.

Com curadoria do fotógrafo Reinaldo Rodrigues, a exposição inaugura a rubrica “Fotógrafo Improvável”, iniciativa conjunta da Casa de Imprensa e Associação CC11, que anualmente promete apresentar o trabalho fotográfico de uma pessoa de outra área profissional mas “cujo percurso visual merece ser descoberto e apresentado em contexto expositivo”.

A exposição inaugura a 1 de julho, às, 18h00 e ficará patente até 18 de setembro na sede da Casa da Imprensa (nº 20 da Rua da Horta Seca, em Lisboa). A entrada é livre.

Ribeiro Cristóvão homenageado na 6.ª sessão das Conversas de Jornalistas: “Há uma avidez enorme em chegar primeiro”

Foto: Clube de Jornalistas

A perda de credibilidade do jornalismo, a pressão da concorrência e a urgência de recuperar a confiança do público foram os temas dominantes na 6.ª sessão das “Conversas de Jornalistas”. Ribeiro Cristóvão foi o homenageado a 24 de junho, concretizando o mote do Clube nos seus 40 anos: “Lançar ideias, premiar os melhores, juntar jornalistas de todas as gerações”.

Juntaram-se-lhe Rui Tavares Guedes e Cátia Bruno, numa conversa com moderação de Maria Flor Pedroso, transmitida em direto no YouTube com o apoio do Cenjor, e disponível em podcast para utilização por qualquer órgão de comunicação social, com a identificação do Clube de Jornalistas.

Ribeiro Cristóvão, figura histórica da rádio portuguesa, considera que a intensificação da concorrência teve impacto direto na qualidade da informação. “Hoje há uma avidez enorme para chegar primeiro à notícia do que o nosso vizinho do lado. Isso às vezes leva‑nos a cometer algumas imprecisões”, disse, sublinhando a diferença face ao passado. “Antigamente as coisas eram trabalhadas com mais calma; hoje este jornalismo é mais rápido, é mais veloz”.

O jornalista lembrou uma época em que a confirmação das fontes era essencial: “Eu não permitia que fossem dadas notícias sem as fontes serem bem contactadas e cruzadas.”

Ao recordar a experiência na “Bola Branca”, destacou que era também isso que fazia a diferença: “Procurámos inserir sempre uma grande seriedade na informação. Ser rigoroso nas notícias, confirmar bem as fontes e cruzar a informação. Se a ‘Bola Branca’ dizia, era porque era verdade.”

Por isso, Ribeiro Cristóvão considera que hoje a abundância de informação não significa melhor jornalismo. “Hoje há uma diversidade muito grande de informação e sobretudo uma grande concorrência”, afirmou, mas “às vezes fica‑se a ver horas a fio as traseiras dos autocarros e a ouvir comentários que não acrescentam nada”.

Ainda assim, reconhece evolução no setor: “Hoje a informação está muito mais desenvolvida e tem profissionais com muita capacidade, há muita gente nova a fazer bem ou a tentar fazer bem.”

Para Rui Tavares Guedes, diretor da revista Visão, o problema central não está apenas na atenção do público, mas na credibilidade da informação. “A principal batalha do jornalismo hoje, mais do que a da atenção, devia ser a de restaurar a confiança”, afirmou, alertando que os jornalistas se estão a aproximar excessivamente de modelos de entretenimento digital.

“Ao tentar correr atrás de tudo, estamos a transformar‑nos iguais aos criadores de conteúdos”, disse, sublinhando que isso pode ser contraproducente: “Quando entramos nesse caminho, perdemos”.

O jornalista defendeu que o rigor deve voltar a ser o principal fator distintivo: “Aquilo que nos tem que distinguir é a veracidade. Quando a notícia ali era dada era de confiança — isso é que nos deve distinguir”.

Do ponto de vista internacional, Cátia Bruno, jornalista do Observador, apontou para outro problema: a incapacidade dos media acompanharem fenómenos complexos. “Estamos sempre a ir atrás do que determinada figura política disse naquele dia”, afirmou, referindo‑se à cobertura de Donald Trump. “Andamos atrás de migalhas que não significam nada”.

Para a jornalista, isso compromete a compreensão global dos temas: “Temos de encontrar ângulos que ajudem a perceber melhor o contexto, em vez de transmitir apenas mensagens”.

Também destacou a importância de humanizar os acontecimentos: “O jornalismo tem o poder de fazer com que, ao olhar para um milhão, as pessoas se lembrem que há um milhão de vidas”.

Redações mais pequenas e menos debate

Outro ponto comum foi a transformação das redações, hoje mais pequenas e fragmentadas. “Há muito menos tempo para discutir do que deveria”, admitiu Cátia Bruno, que trabalha com uma equipa reduzida. “O jornalismo não é uma profissão que se faça no silêncio”.

Rui Tavares Guedes acrescentou que a pressão do dia a dia limita a reflexão: “Está tudo a correr na roda do ratinho, a tentar preencher espaço e chamar atenção”. Essa falta de tempo para pensar pode, segundo os participantes, contribuir para a uniformização dos conteúdos.

“Muitas vezes vai tudo a correr atrás do que o vizinho está a falar”, disse Rui Tavares Guedes, defendendo que os jornalistas devem apostar mais em temas próprios. “Há uma agenda da vida das pessoas que nem sempre coincide com a agenda mediática”, lembrou.

Apesar de tudo, e dos baixos salários e redações pequenas, “continua a ser feito jornalismo de muita qualidade”, sublinhou Cátia Bruno.

Para Rui Tavares Guedes, o caminho passa por assumir uma nova escala. “Já não somos mass media. Essa batalha perdemo‑la”, considera. A solução passará por adaptar estruturas e focar‑se no valor acrescentado. Porque, recorda, “a função do jornalismo neste momento é dar valor acrescentado em relação à informação”.

Já Ribeiro Cristóvão mantém uma visão pragmática, valorizando o papel contínuo dos media tradicionais: “A televisão tornou‑se uma companhia indispensável para toda a gente”.

Com percursos que vão dos 36 aos 86 anos, os participantes sublinharam a importância de cruzar gerações. “Temos de aprender uns com os outros”, afirmou Maria Flor Pedroso, destacando a missão do Clube de Jornalistas de “cruzar experiências e pensar em conjunto”.

No final, Ribeiro Cristóvão deixou uma nota pessoal sobre a profissão: “Estou grato às pessoas que me transmitiram confiança ao longo dos anos”.

E deixou implícita a principal lição do encontro: num tempo de excesso de informação, o futuro do jornalismo passa por recuperar aquilo que o tornou relevante: rigor, contexto e credibilidade.

Esta foi a 6.ª sessão desta iniciativa que teve início em janeiro, com uma homenagem a José Carlos de Vasconcelos, com a participação de Pedro Coelho e Tatiana Felício. Em fevereiro, o foco esteve em Eugénio Alves, à conversa com Clara de Sousa e João Porfírio. Em março, Fernanda Mestrinho conversou com Miguel Carvalho e Sofia Craveiro. Em abril, ouvimos Cesário Borga, José Manuel Rosendo e Ana Tulha. Em maio foi a vez de Daniel Reis ser homenageado, tendo por companhia Ricardo Alexandre e Vânia Maia.

Todas as Conversas podem ser ouvidas no podcast do Clube de Jornalistas, no Spotify.

Divergente vence Prémio de Jornalismo Rei de Espanha com “País de incendiários”

O podcast “País de incendiários”, de Sofia da Palma Rodrigues e Manuel Bivar, da Divergente, venceu o Prémio de Jornalismo Rei de Espanha 2025/2026, na categoria Meio Ambiente.

Atribuídos desde 1983 a trabalhos de jornalistas de países ibero-americanos, em língua espanhola e portuguesa, os Prémios Internacionais de Jornalismo Rei de Espanha são organizados pela agência de notícias espanhola EFE e pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).

Felipe VI entregou os prémios a 22 de junho, numa cerimónia na Casa América, em Madrid.

O júri da 43.ª edição distinguiu trabalhos em seis categorias, com um prémio de 10 mil euros cada, e atribuiu a “País de incendiários” o prémio de Meio Ambiente, a que se candidataram 60 trabalhos.

O júri destacou que o podcast aprofunda de forma rigorosa o tema dos incêndios, num trabalho de “constante atualidade”, com um guião e execução “que prende” quem o ouve, depois de uma viagem por Portugal para fazer o retrato do pirómano, analisando as causas estruturais dos fogos e o impacto das alterações climáticas, bem como os problemas de saúde mental, alcoolismo e revolta contra o sistema.

Em declarações à Lusa em Madrid, depois de ter recebido o prémio das mãos do Rei de Espanha, Sofia da Palma Rodrigues sublinhou a importância de um galardão como este para a sustentabilidade e projeção da Divergente, um projeto “pequeno e de jornalismo independente e jornalismo lento”, que dedica “o tempo necessário a ouvir as pessoas” para contar as histórias que pretende.

Com a Divergente foram distinguidos trabalhos de jornais como o El País e Washington Post.

Os Prémios Internacionais Rei de Espanha de Jornalismo 2025/2026 distinguiram outros cinco trabalhos nas categorias de Meio de Comunicação Ibero-Americano, Jornalismo Narrativo, Cooperação Internacional e Ação Humanitária; Cultura e Fotografia.

O Meio de Comunicação Ibero-americano distinguido foi a plataforma digital brasileira “Aos Factos”, focada na verificação de factos, e que conseguiu que fossem retiradas publicações enganosas da rede social TikTok e vídeos que sexualizavam adolescentes das plataformas da Meta.

O prémio Jornalismo Narrativo foi para o podcast da Cadena SER “Assistolia, a morte desde dentro”, coordenado pelos jornalistas Aimar Bretos e Víctor Olazábal.

A equipa de investigação de El Universal, do México, venceu em Cooperação Internacional e Ação Humanitária com um trabalho sobre as mortes por afogamento de migrantes que tentavam alcançar os EUA através do rio Bravo, feito em colaboração com a plataforma de jornalismo Lighthouse Reports e o jornal Washington Post.

Na categoria Cultura, venceu a revista Contracultura, das Honduras, que, como realçou o júri, deu o salto para o papel num tempo dominado pela Inteligência Artificial, com uma grande diversidade de temas e expressões artísticas.

O prémio de Fotografia foi para Óscar Corral, por uma imagem publicada no El País, captada numa localidade de Valência durante as inundações de outubro de 2024, quando morreram mais de 230 pessoas.

Ribeiro Cristóvão é o homenageado de junho nas “Conversas de Jornalistas”

Ribeiro Cristóvão. Foto: RR

Na quarta-feira, 24 de junho, às 18h00homenageamos Ribeiro Cristóvão naquela que será a 6.ª edição das “Conversas de Jornalistas”, iniciativa que concretiza o mote do Clube nos seus 40 anos: “Lançar ideias, premiar os melhores, juntar jornalistas de todas as gerações”.

Em tempo de Mundial de Futebol, vamos ouvir as histórias deste jornalista com uma vida profissional intensa, sobretudo na Rádio, mas também na Televisão. O homem que começou na Rádio Clube de Huambo, em Angola, para depois brilhar na Rádio Renascença, primeiro como Repórter Parlamentar e só depois com o “Bola Branca”, que o tornou numa voz familiar dos portugueses. Na RTP, do “Girabola” ao “Domingo Desportivo”, Ribeiro Cristóvão formou gerações.

Juntam-se-lhe Rui Tavares Guedes, jornalista da Rádio Comercial em meados dos anos 80, que da Capital saltou para a experiência única da revista Visão, e Cátia Bruno, com um percurso do í ao Expresso, e agora no Observador, a tentar perceber o mundo.

Uma conversa a três com moderação deMaria Flor Pedroso, que será gravada e transformada em podcast, ficando depois disponível para utilização por qualquer órgão de comunicação social, com a identificação do Clube de Jornalistas.

Ao longo de duas horas, haverá espaço para falar sobre o trabalho de cada um, identificando o que foi determinante nas suas vidas profissionais, e como vêem o jornalismo que se faz hoje na imprensa escrita e falada.

Onde estamos a falhar, porque estamos a chegar a menos pessoas? Quando e como é que perdemos a nossa credibilidade? Ou a nossa dignidade? Porque tem sido perdido o controlo editorial para o poder político e económico? Quais as boas experiências e práticas que estão a acontecer e que nos entusiasmam? Este é um ponto de partida possível para percebermos o que está nas nossas mãos melhorar, exigir e não desistir.

Em janeiro, o homenageado nas “Conversas de Jornalistas” foi José Carlos de Vasconcelos, com a participação de Pedro Coelho e Tatiana Felício. Em fevereiro, o foco esteve em Eugénio Alves, à conversa com Clara de Sousa e João Porfírio. Em março, Fernanda Mestrinho conversou com Miguel Carvalho e Sofia Craveiro. Em abril, ouvimos Cesário Borga, José Manuel Rosendo e Ana Tulha. Em maio foi a vez de Daniel Reis ser homenageado, tendo por companhia Ricardo Alexandre e Vânia Maia.

Todas as Conversas podem ser ouvidas no podcast do Clube de Jornalistas, no Spotify.

Aprovado medicamento em foco na reportagem vencedora do Prémio Jornalismo em Saúde, na categoria de Rádio

Fátima Valente (de vermelho) recebeu o Prémio Jornalismo em Saúde pela reportagem que fez na TSF sobre a luta dos doentes com Ataxia de Friedriech para terem acesso ao único medicamento existente para tratar esta condição rara.

Na quarta-feira, 17 de junho, a jornalista Fátima Valente recebia no Clube de Jornalistas o Prémio Jornalismo em Saúde, na categoria de Rádio, pela reportagem “Ataxia de Friedriech – À Espera do Medicamento Que Já Existe”, emitida na TSF. Dois dias depois, o Infarmed dava aos portadores desta doença rara a notícia mais esperada: o único medicamento conhecido para tratar esta condição foi aprovado e vai ser disponibilizado pelos hospitais portugueses, sem custos para os doentes.

“Houve choro, da minha parte e dos doentes… foi melhor do que ganhar a lotaria”, afirmou à TSF a presidente da Associação Portuguesa de Ataxias Hereditárias, Célia Costa.

O Infarmed concluiu que “o medicamento órfão Skyclarys, cuja substância ativa é a omaveloxolona, é indicado no tratamento da doença rara, de causa genética”, a partir da adolescência (16 anos). O novo medicamento não cura a doença, mas ajuda a retardar danos progressivos no sistema nervoso, como dificuldades na fala e nos movimentos.

Prolongado prazo para candidaturas aos Prémios Gazeta

A 41ª. edição dos Prémios Gazeta, os mais prestigiados do jornalismo português, que o Clube de Jornalistas atribui desde a sua fundação, em 1984, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, manterá candidaturas abertas até 30 de junho.

Na edição deste ano tinha sido determinada a entrega dos trabalhos a concurso entre 19 de maio e 20 de junho, mas a direção entendeu estender o prazo até final do corrente mês.

Os trabalhos têm obrigatoriamente de ter sido publicados durante o ano de 2025 e assinados por jornalistas com carteira profissional válida.

Os Gazeta são atribuídos em oito categorias: Prémio Gazeta de Mérito; Prémio Gazeta de Imprensa; Prémio Gazeta de Televisão; Prémio Gazeta de Rádio; Prémio Gazeta de Fotografia; Prémio Gazeta Multimédia; Prémio Gazeta Revelação e Prémio Gazeta de Imprensa Regional.

Os candidatos devem preencher a Ficha de Inscrição, de acordo com o Regulamento.

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