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Assembleia Geral do Clube de Jornalistas a 8 de junho

A Assembleia Geral para aprovação do Relatório e Contas do Clube de Jornalistas, referente a 2025, terá lugar no dia 8 de junho às 18h00.

Este será também um momento de debate e reflexão sobre o futuro do Clube, sendo importante a presença do maior número possível de associados.

Sindicato dos Jornalistas apela à adesão à greve geral de 3 de junho

Greve de Jornalistas em Lisboa (Arquivo). Fotografia: Rui André Soares / Comunidade Cultura e Arte

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) apela a todos os trabalhadores da comunicação social para que se juntem à greve geral convocada pelas centrais sindicais para o dia 3 de junho, contra a reforma laboral proposta pelo governo, considerando que “os jornalistas estarão na primeira linha de vítimas” da nova legislação.

Este é o comunicado do SJ:

“Os jornalistas estarão na primeira linha de vítimas da reforma laboral deste Governo. O Sindicato dos Jornalistas é consistente na rejeição do ataque: aderimos à greve geral, apelando a que se repita a forte mobilização nas redações. Convidamos todas as organizações representativas de quem trabalha a juntar-se ao protesto, mantendo a necessária união nesta luta.

A proposta “Trabalho XXI” penaliza particularmente as pessoas mais precárias, categoria onde cabem tantos jornalistas. Das várias “maldades” do retrocesso tentado pelo Governo PSD/CDS, destacamos cinco:

Numa profissão com horários desregulados e trabalho fora de horas não remunerado, levando a elevadas taxas de “burnout”, o banco de horas individual vai embaratecer ainda mais o trabalho dos jornalistas. Abre a porta ao fim da isenção de horário de trabalho, já usada abusivamente para compor os salários de miséria, forçando-nos a trabalhar mais por menos ou por nada. Temos de dizer não!

As mulheres continuam a acumular muito mais trabalho doméstico, e responsabilidade na gestão familiar, quando escolhem ter filhos. Portanto, sofrem desproporcionalmente com a expansão e desregulação da jornada de trabalho. Quando as jornalistas portuguesas têm uma taxa de natalidade abaixo de média nacional – 1,04 filhos por mulher, abaixo dos 1,38 das restantes trabalhadoras – esta proposta de revisão laboral vem limitar os direitos na maternidade, tornando mais difícil conciliar a carreira e a vida familiar. Temos de dizer não!

O jornalismo é das profissões em Portugal com maior precariedade, com recibos verdes e contratos a termo generalizados. Permitir que alguém que nunca tenha tido um contrato sem termo seja contratado indefinidamente sem entrar para os quadros, como quer o Governo em nome dos patrões, é condenar tantos de nós a uma vida de instabilidade e insegurança. Temos de dizer não!

A precariedade que grassa no jornalismo acentuou-se particularmente entre os repórteres fotográficos e de vídeo, nos últimos anos. Esta proposta laboral, escancarando as portas ao “outsorcing”, vai potenciar os despedimentos ao facilitar a troca de trabalhadores por empresas externas, provavelmente em condições de trabalho precárias e sem garantias de empregar profissionais com carteira profissional, ou seja, sem obrigações éticas e deontológicas. Temos de dizer não!

Os países que pagam melhores salários não são os mais flexíveis, como diz a ministra do trabalho. São os que têm maiores taxas de sindicalização, conforme atestam dados do Fundo Monetário Internacional e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa. Atacar os direitos das pessoas sindicalizadas, fragilizar a negociação coletiva e a intervenção sindical nas empresas é uma forma cínica de perpetuar os salários baixos, minando a capacidade de organização e mobilização dos trabalhadores. Termos de dizer não.

O momento para dizer não é na Greve Geral. Por isso, o Sindicato dos Jornalistas apela a todos as pessoas que trabalham na comunicação social em Portugal que se juntem a esta paralisação para dizer não a um pacote laboral com ideias do século XIX. É crucial a mobilização expressiva da classe jornalística para exigir o abandono desta proposta de alteração legislativa.”

“Os algoritmos” em destaque no 3.º episódio do podcast “O Olho da Rua”

Um músico, Filipe Furtado, uma professora de Geografia, Ana Rajado, e um docente da área do Jornalismo, Sílvio Santos, debatem, neste 3.º episódio do podcast “O Olho da Rua”, o poder e a influência dos algoritmos no acesso à informação. 

O que vemos, o que lemos e o que chega a cada um dos dispositivos que as pessoas possuem é o ponto de partida para uma troca de ideias que acaba, depois, por  discutir as agendas mediáticas e os seus critérios de escolha e de selecção.

No habitual espaço “Histórias do Jornalismo”, a jornalista e antiga provedora do telespectador, Ana Sousa Dias, revela, em conversa com Paulo Martins (do Clube de Jornalistas), aspectos e momentos curiosos do seu percurso profissional.

“O Olho da Rua” é um podcast mensal sobre jornalismo, resultado de uma parceria entre o jornal sinalAberto e a ESEC (Escola Superior de Educação de Coimbra).

Prémios Pulitzer 2026 celebram a coragem e a resistência no jornalismo

Nestes tempos em que o jornalismo enfrenta circunstâncias cada vez mais difíceis, a cerimónia de entrega dos Prémios Pulitzer surgiu como uma lufada de inspiração, de olhos postos no que de melhor se faz na profissão nos EUA. O anúncio dos premiados de 2026 destacou histórias de persistência e resistência, investigações em profundidade e reportagens que no último ano desafiaram silêncios e cumplicidades.

Instituídos no testamento do editor de jornais Joseph Pulitzer e entregues pela primeira vez em 1917, os Prémios Pulitzer atribuem 15 mil dólares a cada vencedor, em 14 categorias, e o prestigiado prémio de Serviço Público é uma medalha de ouro. As decisões são tomadas pelo Conselho do Pulitzer, sediado na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

O Washington Post destacou-se este ano ao receber o prémio principal, de Serviço Público, por um conjunto de trabalhos que revelaram os efeitos dramáticos dos cortes orçamentais nas agências federais dos Estados Unidos. A jornalista que assinou a maioria destes artigos foi notícia recentemente por outras razões – a casa de Hannah Natanson foi alvo de um mandato de busca policial e o seu computador e blocos de notas apreendidos, o que tem sido contestado quer pela direção do jornal como por várias organizações, por ser uma grave ameaça à liberdade de imprensa.

Hannah Natanson / Washington Post

Além disso, este prémio surge num dos momentos mais difíceis do Washington Post, quando o jornal está a fazer uma reestruturação forçada pela administração de Jeff Bezos, que impôs a redução de mais de 30% da equipa.

O New York Times recebeu três troféus, confirmando o seu papel central na cobertura de temas complexos e sensíveis.

Entre os momentos mais marcantes destacou-se o momento da atribuição do prémio a uma investigação da Associated Press que durou três anos, construída sobre milhares de documentos e incontáveis entrevistas, para revelar as ligações entre empresas norte-americanas e o sistema chinês de vigilância estatal.

A Reuters expôs a forma como Donald Trump utilizou o poder federal para expandir a autoridade presidencial e atingir adversários políticos. Noutra frente, mergulhou na influência de gigantes tecnológicos como a Meta, mostrando que o jornalismo continua a vigiar os centros de poder, sejam eles políticos ou digitais.

Também a fotografia teve o seu espaço de destaque: desde imagens marcantes da Faixa de Gaza (pelo fotógrafo Saher Alghorra, ao serviço do New York Times) ao ensaio intimista sobre uma família a enfrentar a doença terminal de um pai (Washington Post).

Saher Alghorra / New York Times

Num registo profundamente humano, a cobertura do Minnesota Star Tribune sobre um tiroteio numa escola em Mineápolis tocou os jurados pela sua sensibilidade e rigor. A tragédia, que vitimou crianças e deixou uma comunidade em choque, foi retratada com uma combinação rara de compaixão e detalhe.

Esta edição dos Pulitzer acabou por ser um poderoso testemunho da resiliência de uma profissão sob pressão. Como sublinhou a diretora Marjorie Miller, há hoje um sentimento crescente de valorização do público – talvez porque nunca como agora o jornalismo foi tão essencial, e tão desafiado, nos EUA.

Os Prémios Pulitzer voltaram esta semana a lembrar-nos que, sobretudo em tempos incertos, há histórias que precisam de ser contadas — e para isso é preciso que continuem a existir jornalistas dispostos a dar tudo de si para contá-las.

Livro “Isto agora é em off” lançado a 6 de maio na Casa da Imprensa

Álvaro Cunhal revelou em entrevista a Maria João Martins que era ele o escritor "Manuel Tiago". Foto: Arquivo pessoal de Maria João Martins

Esta quarta-feira, 6 de maio, às 18h00, será apresentado o novo livro da jornalista Maria João Martins “Isto agora é em off” (Ed. Âncora), na Casa da Imprensa, em Lisboa.

O livro reúne um conjunto de entrevistas a várias personalidades da cultura nacional e internacional que a autora realizou ao longo de mais de 30 anos, primeiro no Diário de Lisboa, depois no JL – Jornal de Letras, Artes & Ideias, juntando-lhes muitas curiosidades dos bastidores da profissão.

A obra será apresentada pela jornalista e escritora Patrícia Reis.

II Jornadas Técnicas da Imprensa Regional a 8 de maio, no Cenjor

Foto: Cenjor

A Associação Portuguesa de Imprensa promove, no próximo dia 8 de maio, em Lisboa, a segunda sessão das Jornadas Técnicas da Imprensa Regional 2026, com inscrições gratuitas.

O encontro decorrerá nas instalações do Cenjor e reunirá especialistas do setor para debater formação, inteligência artificial, direitos de autor e sustentabilidade dos media.

Esta iniciativa tem como objetivo capacitar profissionais da comunicação social regional, aproximando-os de novas ferramentas, tendências e modelos estratégicos para responder aos desafios atuais do setor.

A sessão terá início às 09h30, com a receção dos participantes, seguindo-se a abertura oficial às 10h00 por Cláudia Maia, presidente da Direção da API.

O primeiro painel será dedicado ao tema “Formação em Jornalismo: Competências para um Setor em Transformação”, com intervenção de Miguel Crespo, diretor do Cenjor, numa reflexão sobre a evolução das competências exigidas aos profissionais dos media num contexto cada vez mais digital e multifacetado.

Às 10h45, Carlos Eugénio, da Visapress, abordará a relação entre inteligência artificial e direitos de autor, um dos temas mais relevantes da atualidade para empresas de media e produtores de conteúdos jornalísticos.

Seguir-se-á, às 11h00, Ana Santos Gomes, da DECO PROteste, com a sessão “Inteligência Artificial nas Redações: Qual é o limite?”, onde serão discutidos os desafios éticos, operacionais e editoriais associados à adoção destas tecnologias no jornalismo.

Às 11h30, Luís Amorim, diretor de desenvolvimento digital da MediaLivre, marcará presença com a conferência “Imprensa em Mudança: Sustentabilidade e Modelos de Negócio”, trazendo ao debate perspetivas sobre transformação digital, diversificação de receitas e adaptação empresarial no setor da comunicação social.

Após a pausa para almoço, os trabalhos serão retomados às 14h00 com a participação de Marcelo Zilberberg, diretor na Echobox | AI for Publishers, que apresentará soluções de distribuição e automação de conteúdos, sobretudo nas redes sociais e newsletters, demonstrando como a inteligência artificial pode potenciar a eficiência editorial, o alcance das notícias e o crescimento de audiências.

A escolha do Cenjor como espaço anfitrião reforça a ligação das Jornadas Técnicas à formação contínua e à valorização profissional dos jornalistas e equipas de media, num local de referência para o setor em Portugal. A participação é gratuita. Inscreva-se AQUI

Mais formações no Cenjor, em maio e junho

O Cenjor oferece um conjunto diversificado de cursos, em formato presencial e online, dirigidos a jornalistas e outros profissionais dos media, com especial enfoque no desenvolvimento de competências essenciais à atividade, nomeadamente nas áreas da segurança, criatividade, comunicação e novas ferramentas digitais.

Todos os cursos têm 50% de desconto para profissionais do setor e isenção de custos para desempregados, mediante os requisitos indicados.

José Carlos Vasconcelos vai ser Doutor ‘Honoris Causa’ da Universidade do Porto

José Carlos de Vasconcelos. Foto: Arquivo Visão

A distinção realiza-se por proposta da Faculdade de Letras do Porto e será entregue no dia 7 de maio, numa cerimónia no Salão Nobre da Reitoria.

Jornalista, poeta, advogado e diretor das 1.429 edições do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, até à data da suspensão da publicação, em julho de 2025, José Carlos de Vasconcelos vai ser o 107.º Doutor Honoris Causa da Universidade do Porto. A cerimónia terá lugar no dia 7 de maio, às 15 horas, no Salão Nobre da Reitoria, reconhecendo, por proposta da Faculdade de Letras, «o valor excecional de um percurso que uniu pensamento, ação, palavra e cidadania», contribuindo decisivamente «para a projeção internacional da língua portuguesa, para o prestígio das humanidades e para a afirmação dos valores sobre os quais assenta a missão» da U.Porto.

«A cultura portuguesa, a lusofonia, a imprensa livre, a memória democrática, a literatura, o ensino e a investigação em educação, letras, artes, filosofia, ciências humanas e humanidades são hoje mais ricas porque contaram, ao longo de mais de meio século, com o trabalho persistente, rigoroso e generoso» de José Carlos de Vasconcelos, lê-se na proposta da FLUP, subscrita pelos professores catedráticos Mário Jorge Barroca e José Meirinhos.

Na cerimónia de atribuição do Honoris Causa – que contará com a participação do reitor, António de Sousa Pereira, e da diretora da FLUP, Paula Pinto Costa –, o elogio de José Carlos de Vasconcelos ficará a cargo do jornalista Carlos Magno, sendo padrinho Artur Santos Silva, antigo presidente do Conselho Geral da Universidade do Porto e 78.º Honoris Causa da instituição.

Figura destacada da cultura portuguesa, José Carlos Torres Matos de Vasconcelos nasceu a 10 de setembro de 1940, em Freamunde, Paços de Ferreira, autarquia que o distinguiu com a Medalha de Ouro do concelho e com a criação de um “Observatório” com o seu nome. Viveu depois na Póvoa de Varzim e aí fez a escola e o liceu, tendo publicado, em 1960, o primeiro livro, “Canções para a Primavera”. A ligação que sempre manteve com a cidade valeu-lhe a distinção com o título de Cidadão Honorário e com a Medalha de Reconhecimento Poveiro, tendo ainda sido homenageado, em 2026, pelo festival literário Correntes d’Escritas.

José Carlos de Vasconcelos foi também distinguido, em Portugal, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade; e, no Brasil, com a Ordem do Rio Branco. É membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa, tendo-lhe sido atribuídos, entre outros prémios, o de Cultura e Responsabilidade Social, da Fundação Luso-Brasileira; o Vasco Graça Moura, Cidadania Cultural; e todos os principais de carreira do jornalismo português: Clube de Imprensa, Casa de Imprensa, Manuel Pinto de Azevedo e Gazeta.

Cursou Direito em Coimbra, onde foi dirigente estudantil, presidente da Assembleia Magna da Associação Académica, chefe de redação da Via Latina (e da revista Vértice), fundador e presidente do Círculo de Estudos Literários, ator e membro do conselho artístico do TEUC. Já licenciado, trabalhou na redação do Diário de Lisboa e presidiu à Comissão de Liberdade de Imprensa do Sindicato dos Jornalistas, do qual seria mais tarde presidente da Assembleia Geral e do Conselho Geral. Presidiu ainda à direção e à Assembleia Geral do Clube de Jornalistas.

Como advogado, defendeu presos políticos no Tribunal Plenário do Estado Novo, assim como escritores, artistas e jornalistas, sobretudo acusados de «abuso de liberdade de imprensa», tendo colaborado ativamente com músicos como Carlos Paredes e José Afonso, entre outros.

Após o 25 de Abril esteve na direção do Diário de Notícias e na direção de informação da RTP. Na televisão pública assinou, em 1974, com Fernando Assis Pacheco, o seu primeiro programa literário, “Escrever é Lutar”, tendo ainda sido comentador e pertencido ao Conselho de Opinião.

Fundou em 1975, com outros jornalistas, o semanário O Jornal, tendo sido diretor e responsável editorial do grupo, que lançou diversos outros títulos e uma editora. Fundou, com outros jornalistas, a cooperativa que deu origem à TSF/Rádio Jornal. Ex- director editorial da revista Visão, criou, em 1981, o JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, cujas 1.429 edições constituem um acervo único da língua e da cultura portuguesas.

Protagonista empenhado em diversos momentos da vida cívica nacional, José Carlos de Vasconcelos foi deputado e vice-presidente do grupo parlamentar do PRD, pertenceu à Comissão de Honra dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil, integrou o Conselho Geral da Fundação Calouste Gulbenkian e comissariou o Encontro Internacional sobre Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas, promovido pela União Latina.

Tem publicados onze livros de poesia, três infantojuvenis, dois de entrevistas, um sobre Lei e Liberdade de Imprensa, e outro com textos sobre a Póvoa de Varzim.

O título de Doutor Honoris Causa é, recorde-se, atribuído pela Universidade do Porto «a personalidades eminentes, nacionais ou estrangeiras, que se tenham distinguido na atividade académica, profissional, cultural ou política, ou que tenham contribuído, direta ou indiretamente, para o prestígio e engrandecimento da sociedade, em geral, e da Universidade do Porto, em particular».

Liberdade de imprensa global atinge nível mais baixo dos últimos 25 anos

RSF

Pontuação média dos 180 países analisados pela organização Repórteres Sem Fronteiras nunca foi tão baixa neste último quarto de século. Portugal caiu dois lugares. Noruega é o país com melhor classificação.

A liberdade de imprensa global está no nível mais baixo dos últimos 25 anos, em particular devido à criminalização do jornalismo, anunciou esta quinta-feira a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), com Portugal a cair dois lugares, para a 10.º posição, com a classificação de “satisfatório” (83,71 em 100).

No topo da lista, mais um ano, está a Noruega, o único país a obter uma classificação de “excelente” (92,72 em 100), seguida dos Países Baixos, Estónia, Dinamarca, Suécia e Finlândia.

Menos de 1% da população mundial goza do que os RSF consideram ser uma situação “boa” de liberdade de imprensa, quando em 2002 era de 20%. No extremo oposto, 52,2% dos países encontram-se numa posição “difícil” ou “muito difícil”.

A lista é encerrada por Arábia Saudita (176.º lugar), Irão (177.º), China (178.º), Coreia do Norte (179.º) e Eritreia (180.º). Entre os regimes mais fechados à imprensa está também a Rússia (172.º), “especialista no uso de leis contra o terrorismo, o separatismo ou o extremismo” para restringir a margem de manobra.

A maior queda em 2026 é protagonizada pelo Níger (37 posições de uma só vez, para o 120.º lugar), que exemplifica assim a deterioração da liberdade de imprensa que se verifica há anos na região do Sahel, devido aos ataques que tem vindo a sofrer por parte de diferentes grupos armados e das juntas militares no poder. No outro extremo, a queda do regime ditatorial de Bashar al-Assad na Síria permitiu-lhe subir da 177.ª para a 144.ª posição.

PAÍSES LATINO-AMERICANOS PIORAM CLASSIFICAÇÃO

Grande parte dos países latino-americanos piorou a posição no ranking, em particular o Equador, que, num contexto de forte recrudescimento da criminalidade organizada, sofreu uma queda de 31 posições e ficou em 125.º lugar, após os assassínios dos jornalistas Darwin Baque e Patricio Aguilar. Também o Peru foi marcado no último ano pelo assassínio de quatro jornalistas e desceu 14 posições, para o 144.º lugar.

A organização RSF fez recuar em força na tabela a Argentina (11 posições, para o 98.º) e El Salvador (oito, para o 143.º) devido à ação dos líderes, Javier Miley e Nayib Bukele, respetivamente, na linha do Presidente norte-americano, Donald Trump, com hostilidade e pressões sobre a imprensa.

Três países latino-americanos continuam na cauda do ranking mundial da liberdade de imprensa, apesar de terem subido algumas posições: a Venezuela (159.º, contra 160.º) devido à incerteza sobre as garantias para a imprensa, apesar das libertações de jornalistas no início de 2026; Cuba (160.º, contra 165.º), onde “a crise profunda obriga os poucos jornalistas independentes a operar cada vez mais na clandestinidade” e a Nicarágua, relegada para o 168.º lugar (antes 172.º), num “panorama mediático em ruínas, caracterizado por uma repressão sistemática”.

A Colômbia destaca-se da tendência geral da região, com um avanço de 13 posições, mas até um 102.º lugar pouco meritório. No que diz respeito ao Brasil, o país subiu na classificação, de 63.º em 2025 para 52.º este ano.

Cesário Borga foi o homenageado de abril nas Conversas de Jornalistas: “O jornalismo não pode desistir”

José Manuel Rosendo, Maria Flor Pedroso, Cesário Borga e Ana Tulha, na 4.ª Conversa de Jornalistas. Foto: Inácio Ludgero

O peso da reportagem, a pressão do imediatismo, a precariedade nas redações e o impacto das redes sociais marcaram a quarta “Conversa de Jornalistas”, que junta mensalmente três gerações da profissão no Clube de Jornalistas.

Cesário Borga foi o homenageado a 22 de abril nesta iniciativa que concretiza o mote do Clube nos seus 40 anos: “Lançar ideias, premiar os melhores, juntar jornalistas de todas as gerações”.

Juntaram-se José Manuel Rosendo, jornalista da Antena 1 desde 1993, grande-repórter em vários cenários de guerra, com um foco particular no Médio Oriente, e Ana Tulha, jornalista formada no Porto e que trabalhou n’A Bola, Público, Agência Lusa e Jornal de Notícias, estando desde 2018 na Notícias Magazine.

Uma conversa com moderação de Maria Flor Pedroso, transmitida em direto no YouTube com o apoio do Cenjor, e disponível em podcast para utilização por qualquer órgão de comunicação social, com a identificação do Clube de Jornalistas.

Esta Conversa foi menos um exercício de nostalgia e mais um debate sobre o presente e o futuro do jornalismo. Desde o início, Cesário Borga deixou clara a ideia central da conversa: “O jornalista é um mediador. Se deixar de o ser, deixa de fazer jornalismo.”

Cesário Borga recordou um tempo em que não existiam cursos nem formação estruturada. “Quando comecei, não havia nada. Nada mesmo. Não havia escolas de jornalismo, aprendia‑se a trabalhar, trabalhando.”

O primeiro contacto com a profissão aconteceu num jornal ligado à Juventude Operária Católica, onde descobriu a reportagem como essência do ofício: “Foi aí que comecei a ir aos sítios, a falar com as pessoas e a escrever. Ainda hoje acho que sou fundamentalmente repórter.”

Também José Manuel Rosendo sublinhou a importância da prática, embora o seu percurso tenha sido mais tardio e acidentado: “Cheguei tarde ao jornalismo, mas cheguei convicto. Só nas rádios locais percebi que era isto que queria fazer da vida. Não tinha cunhas, não tinha universidade nem ligações. Demorei a entrar, mas não desisti.”

Ana Tulha, representante de uma geração já formada em contexto académico, reconheceu sinais mais cedo, mesmo antes de ter consciência da escolha profissional: “Só no secundário percebi que queria ser jornalista, mas olhando para trás vejo que houve vários sinais.”

A reportagem surgiu como o ponto de maior consenso entre os três jornalistas. “A grande arma do jornalismo continua a ser a reportagem”, defendeu Cesário Borga. “Ir aos sítios, ver, investigar e contar.” O jornalista evocou episódios da sua carreira como correspondente em Espanha para ilustrar o valor de estar no terreno: “Muitas das grandes histórias aparecem quando não estamos à espera. Isso só acontece a quem anda na rua.”

José Manuel Rosendo concordou, mas alertou para as limitações atuais. “Temos redações esmagadas por um caudal de informação enorme e com poucos recursos. Muitas vezes não há condições para enviar repórteres.” Ainda assim, deixou claro o fascínio do trabalho de campo: “As poucas vezes em que pude estar semanas no terreno, sem a pressão do direto, foram das experiências mais marcantes da minha carreira.”

Ana Tulha reforçou essa ideia a partir da sua experiência na Notícias Magazine: “É na reportagem que sinto que faço jornalismo a sério. É onde me sinto mais confortável e realizada.”

Fotos: Inácio Ludgero

O impacto das redes sociais foi abordado de forma crítica, mas sem discursos saudosistas. “Hoje muitas notícias deixaram de ser decididas pelas redações”, lamentou Cesário Borga. “Passam a ser aquilo que circula nas redes, sem sabermos se é verdadeiro.” Ainda assim, rejeitou fatalismos: “Os jornalistas estão a aprender a defender‑se. As redes podem ser um ponto de partida, nunca um ponto de chegada.”

José Manuel Rosendo apontou as redes sociais como o maior risco, pois “forçaram um imediatismo que nos rouba tempo para interpretar”. E deixou um aviso claro: “Não devemos querer concorrer com as redes sociais. O nosso trabalho é outro.”

Ana Tulha trouxe exemplos concretos do afastamento dos mais jovens do jornalismo profissional: “Vejo cada vez mais gente que se informa apenas nas redes sociais e não distingue informação de propaganda. Já tive estagiários de jornalismo a dizerem que não leem jornais.”

Os baixos salários e a dificuldade em construir uma carreira estiveram também no centro do debate. “Tenho colegas com mais de 30 anos que ainda vivem em casa dos pais”, afirmou a jornalista da Notícias Magazine. Apesar disso, destacou a persistência de muitos jovens jornalistas: “Mesmo com salários baixos, há muita gente com grande amor à camisola. Isso dá‑me esperança.”

José Manuel Rosendo alertou ainda para a perda de talento: “Estamos a formar pessoas muito boas, mas depois não temos capacidade para as reter.”

Sobre a crescente presença de comentadores, Rosendo criticou a confusão de papéis: “Vejo militares a comentar política e analistas políticos a comentar guerra. Alguma coisa está errada.” E defendeu que o jornalista não deve abdicar da análise informada. “Depois de décadas a estudar um tema, dizer que um jornalista não pode ter opinião não faz sentido.”

Cesário Borga sintetizou a responsabilidade da profissão: “O jornalista tem de olhar para os factos, investigá‑los e contá‑los. Se começa a desligar‑se da realidade, deixa de cumprir a sua função.”

No exercício final, sobre o que fariam se tivessem responsabilidades editoriais, Ana Tulha defendeu mais jornalismo de investigação: “Ainda sabemos pouco sobre quem são e o que querem alguns fundos que entram nos grupos de comunicação.”

José Manuel Rosendo apelou a recuperar o essencial. “Estamos demasiado presos às agendas políticas. Precisamos de voltar a perguntar o que é que realmente interessa às pessoas.”

A fechar, Cesário Borga deixou a ideia que atravessou toda a conversa: “O jornalismo enfrenta muitas dificuldades, mas não pode desistir. Ver, investigar e contar continua a ser o nosso trabalho.”

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